segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vamos contar pneus?

Cheguei em Pacatuba para um dia de voo comum. Bem, não bem comum... Estava em Fortaleza, finalmente atendendo a uma visita prometida há pelo menos 12 anos, já que se passam 13 desde que conheço a Gislene, e isso por si só ja tornava o dia incomum. Também, enquanto chovia no resto do país, lá fazia 30o.C já às 8h da manhã. Mas enfim, um bom dia comum de voo!

No "Bar do Pouso", entre aspas pois este é de fato o nome do local, esperávamos pelo Aluísio quando um garoto se aproximou. "Tatu", respondeu ele quando perguntei seu nome. Tatu era um menino pilhado. Perguntou com que parapente eu voava, e há quanto tempo eu estava na brincadeira. "5 anos", respondi... "E você, voa?". "Voo sim, há 8!", ele respondeu rindo. "Ué, mas quantos anos você tem?", perguntei bastante surpreso. "15!", ele me respondeu com orgulho na voz.

Ok, o dia já não era mais um dia típico... Aos poucos, me enturmei com o Tatu e o papo foi se desenrolando... Tatu é de Pacatuba mesmo, destes de coração bom que, esperamos, serão bons homens no futuro. E o papo fluia bem quando chegou o Bob, no mesmo estilo. De bicicleta e especulando sobre meu parapente, o papo melhorava.

Confesso que minhas capacidades linguísticas pareciam limitadas quando os dois se embrenhavam na conversa. Como que fosse gringo, entendia apenas metade dos papos, e por vezes levantava para olhar a condição, só para não parecer mau educado por deixar sem resposta algum comentário que eu não entendesse!

E, de repente, percebi que havia uma brincadeira entre os dois.

- 4 - disse o Tatu.
- Não, 5! Você se esqueceu do step! - retrucou o Bob.
- Ué, mas você tem certeza que o step tava lá? - treplicou Tatu e os dois caíram na risada...

E o papo continuou, comigo meio sem entender, até que passou um caminhão enorme. Os dois pararam concentrados. "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...", eu ouvia ambos sussurrando pra si.

- 14, soltou o Bob.
- Nada, 15!!
- É mesmo, 15! Então, 30!
- 30? - perguntei eu, querendo entender o que se passava.
- É, 30 pneus naquele caminhão! É que é assim... - e o Bob desenhou um caminhão no chão com uma vareta que segurava na mão enquanto me explicava... - ...daí, como tem dos dois lados, 30!

Aquela simplicidade toda, confesso, me deixou embasbacado. Contar pneus à beira da estrada... Olhei para o meu iPhone com desdém: ele não tem um joguinho para contar pneus. ponto.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ah...

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.

Fecha aspas, e ponto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fugi pra cozinha!

Eu gosto muito de escrever. Poucas coisas, de fato, me dão tanto prazer quanto escrever, mesmo que seja para ninguém ler. Talvez seja um desses sonhadores, com os pés fora do chão, que cresceram assistindo filmes de cartas antigas sendo encontradas em garrafas, e resolveram seguir os passos. Se a internet é um mar onde a gente navega, por vezes uso um blog como uma garrafa fechada. Escrevo algumas palavras, posto, e talvez um dia alguém leia.

Pra ser sincero, foi sempre assim que gostei de escrever, e historicamente perdi o tato de escrever em meus blogs quando percebi que eles tomavam uma dimensão acima do esperado. A última solução foi simples: retirei o contador de acessos, e estava tudo beleza!

Bem, agora eu resolvi... mudar o foco, e falar de algo que eu adoro - e, como muita gente por aí, sou um baita entusiasta (e não passo disso!). Eu vos apresento (rufem os tambores!!!): Henrique na Cozinha, o primeiro blog de culinária que não tem imagens, e o único blog de culinária que posta até receitas que não funcionam - mas sempre com comentários do autor.

A ideia é simples: eu sempre gostei de cozinhar, mas nunca tive uma cozinha. Por isso, por vezes usava os ingredientes dos meus pais, e tinha pena deles. Tinha medo de errar e pena de tentar ser feliz. Mas agora minha vida mudou: moro sozinho, e gasto quilos de massa no lixo para conseguir acertar uma receita de cookies, por exemplo.

Daí, a primeira ideia é fazer um livro de receitas. Mas ah, em um mundo tão moderno, em que HDs queimam todo dia e papéis envelhecem com o tempo, achei que um blog era a melhor ideia.

Espero que eu possa, ao menos, compartilhar as melhores presepadas que a minha cozinha me permitir com aqueles que tenho carinho. Abraços, e ponto.