domingo, 21 de novembro de 2010

E foi-se a Maratona de Curitiba!

Eram 5 horas da manhã quando o relógio despertou. Apesar da ansiedade extrema desde dias antes, um pouco de música calma e um bom banho fizeram-me relaxar antes da noite. Dormi muito bem, e acordei ainda melhor.

A canelite na perna esquerda sumira, pelo menos para caminhar. Às 5h50 minha mochila estava pronta, e eu estava de café tomado e vestido de "maratonista". O dia chegara, o dia finalmente chegara. Eu não cabia em mim de tanto ânimo.

Cheguei lá a tempo de ver as meninas passarem por nós, pontualmente às 6h30. Gritei para a Nádia e a Tânia, doando-as um pouco de energia extra - apesar de considerar que elas não precisariam (pensa em duas corredores muito fortes!!).

E então fui para a tenda da V8, para o aquecimento e alongamento. No aquecimento, a cada passo eu sentia uma pontada na canela. Racionalmente, eu não devia estar lá. Mas convença alguém que, por 3 meses, mastigou o desejo de viver aquilo; que abriu mão de voos, de saídas, de festas, por conta do "longão do dia seguinte". Nas quartas-feiras, eu acordava às 6h para ir ao parque treinar. Eu acordo às 8h normalmente, mas acordava às 6h para seguir a planilha. A ideia de desistir por conta de uma inflamação na perna que resolveu aparecer 10 dias antes da prova sequer passou pela minha cabeça.

O problema é que eu fiquei 10 dias sem treinar, e estes 10 dias saíram caro. Ganhei algum peso neste meio tempo, e perdi um pouco do ritmo. Para compensar isso, segurei o ritmo em 5:15/5:20. Não ajudou muito. Já na largada eu me sentia pesado e cansado. E a canela não queria ajudar.

O Tiago, que também treina na V8, iria fazer 21k para este ritmo, e seguimos juntos por um bom trajeto. Foi uma companhia muito bacana, demos algumas risadas no caminho e nos desgarramos no km 13. Apesar de ele ser mais forte do que eu, não estava num dia bom e baixou o ritmo ali.

E foi neste momento que eu prestei atenção na minha perna esquerda. A verdade é que eu não fazia um movimento de "corrida" com ela. Ela havia endurecido e era um bloco só correndo, como que não tivesse joelho. O corpo é mesmo incrível: para evitar a dor, ele simplesmente mudou a minha mecânica. Mas é claro que o preço disso não é baixo, e eu já sabia disso quando optei por correr mesmo com a inflamação.

Chegamos ao Pinheirinho com 19 ou 20 km, e eu caminhei um pouco. Mas não por quebrar. Eu não conseguia baixar meu batimento cardíaco, e isso somado à perna "manca" me alertou: eu devia controlar muito bem a situação agora!

Aqui, eu pensei em desistir, parar, aguardar o Tiago e voltar de carro junto com ele. Então lembrei do nosso longão em que eu quebrei, e me toquei que 42km "não era tão mais longe" do que eu já havia ido. Eu tinha que continuar. E não hesitei em volar a correr.

Mesmo caminhando eventualmente, meu ritmo não ficou ruim. As sonhadas 3:30 já tinham ido por água abaixo tempos antes. Então, agora, a meta ficou em volta das 4h. E no 30 eu estava com 2:56, mesmo tendo caminhado relativamente muito. Estava bom!

E daí pra frente foi que eu abri mão. Guardava energia nas subidas, e corria sempre que me permitia. Na verdade, eu tinha mais perna do que parecia, mas considerava isso bom. Até o 37 não senti quebrar realmente, eu estava somente controlando a energia. Caminhava muito, é fato, mas talvez por inexperiência e medo.

Do km 38 pra frente, a maratona começou de verdade pra mim. Eu esqueci de tomar gel, usava três copos d'água a cada posto e cheguei a jogar isotônico com água na cara para refrescar. O sol pegou, e a energia já se tinha ido. Ali, era a garra, o coração, e usar a energia que todos os meus amigos haviam me enviado.

Mesmo caminhando eu dosava o ritmo. Nunca abaixo de 10min/km caminhando, e correndo eu não me preocupava com nada. Parava ao primeiro sinal de câimbra, este era o meu dosador.

Assim que virei na Cândido de Abreu e vi, lá longe, a chegada, senti um sopro no corpo todo. Uma dose altíssima de adrenalina fora injetada, incrível. Liguei o iPod e comecei a correr, decidido a correr o último km inteiro. Não consegui. Quase chegando no km 42, quebrei novamente.

Mas a visão logo se refrescou. Meus pais e a Isa estavam lá. Me viram, levantaram os braços, e gritaram "VAI"! Eu fui. E fui sem dó.

Quando voltei a correr, não tinha mais energia - sequer para fazer os 195m que, nesta hora, parecem 3km. Então comecei a gritar, sacudir os braços e pedir que as pessoas que assistiam gritassem também. Literalmente levantando os que assistiam ali. E acho que consegui. Não tenho certeza, porque daquela hora não tenho mais certeza de nada. Eu sei que eu senti as pessoas gritando junto, e isso funcionou. Como uma onda mesmo, eu fui passando, gritando, levantando os braços, e todos me deram a energia que faltava.

Cruzei a linha de chegada aos berros. E fui ao abraço dos meus pais, amigos, treinadores e todo o resto.

Muitos maratonistas dizem que a maratona começa no km 30 - antes disso é só administrar. Mentira. A maratona começa 4 meses antes, quando você coloca isso como seu objetivo e começa a treinar para ele. Os longos, os tiros, as lesões, as dores, os novos amigos, as ausências com os velhos amigos...

Quem não é maratonista jamais entenderá o que se passa, jamais compreenderá o quanto importante é cada "boa sorte", cada "VAI", cada palma que recebemos antes e durante o percurso. E eu não os culpo.

Aliás, pelo conrário. Talvez, eu deva um pedido de desculpas geral a todos os que me acompanharam neste trecho. E, mais que desculpas, um MUITO OBRIGADO. Aos amigos (principalmente do voo), à família, aos amigos próximos e aos nem tão próximos assim, meu mais sincero muito obrigado. Obrigado por entenderem, e aturarem, esta meta que coloquei para mim de terminar esta maratona. Tenho certeza que compensarei, aos poucos e do meu jeito, cada ausência, cada recusa de convites, cada decisão aparentemente antissocial que tomei nos últimos meses. Obrigado também ao Vitor e à V8, cujo apoio e assessoria foram essenciais para tornar esta meta factível!

Também, preciso agradecer ao Tiago, aquele que correu o começo comigo. Ele não sabe ainda, mas ele é que foi responsável por manter minha cabeça inteira. Numa conversa descompromissada no Barigui, ele virou pra mim e disse "ah, cara, eu não acho que quem caminhe tá errado; é melhor caminhar do que se matar!". Isso foi há umas 3 semanas, e trabalhei muito isso na minha cabeça - principalmente quando percebi que correria lesionado. Foi, com certeza, curtir esta maratona independentemente de ter caminhado!

E é fato sim que eu fiz bem acima da minha meta. É fato que eu caminhei. E é fato que eu apanhei desta prova. Mas a maratona é uma prova pessoal, não é para os outros. Com a medalha em mãos, eu posso fazer dela a memória que eu quiser - sem medo de exceder o egoísmo. E, com todo egoísmo que me cabe, eu encho o peito pra dizer: EU SOU MARATONISTA. E ninguém me convence do contrário. A partir de hoje, o meu nome vem acompanhado de um número. 42.195. Esse é meu número. ponto.

No www.linhadechegada.com está publicado o tracklog, informações de velocidade e batimento km a km...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tic, tac

Porque a beleza não está ligada ao seu rosto. Digo, está, mas não assim, da forma como você gosta de pensar. Pois não me interessa o que sua maquiagem esconde - ainda que esconda traços tão belos que deveriam mais ser mostrados do que mascarados; mas não me interessa. Me interessa mais o que seus olhos escondem, e o que seu sorriso deixa escapar.

Eu não sei como os outros te veem, e isso nem me interessa. Talvez, preferisse que um espelho nunca tivesse sido parte da sua vida, para que você não tivesse noção desta beleza que tens - porque não estou interessado nela, mas ela está no meu caminho como árvore caída em vendaval.

Seu perfume ficou em mim, mas não tenho certeza que ele seja de frasco. É natural, é suave, é humano... é seu, só seu. E, agora, um pouco meu. E meus olhos não ficam abertos quando ele chega às minhas narinas. Mas não consigo guarda-lo, ele se vai. E eu sofro porque o sinto no tic, e sofro porque ele se vai no tac. ponto.

sábado, 6 de novembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

Viva o Brasil!

Eu nunca falo de política por aqui, até porque não tem tanta gente assim que lê este espaço e eu não tenho qualquer intenção de formar opiniões. Então, peço a gentileza que a opinião aqui registrada não seja discutida desta vez. Não tenho saco para discutir política (e explicarei o porquê), e não é a intenção que ela seja discutida. Não quer se irritar, não leia. Estou só desabafando, então relaxa e goza. Combinado?

Bom, a Dilma foi eleita. No dia das bruxas, a bruxa saiu da toca e assombrou pelo menos 55% do país. Eu sei que ela ganhou pela maioria, mas vamos lembrar quantos dos seus amigos estão viajando, "comemorando" o feriado, e não votaram no Serra - uma opção medíocre mas, ainda assim, menos medonha. Ok, sou bom perdedor, a Dilma recebeu a maioria dos votos: aturemos.

O problema é que ninguém sabe direito porque votou na Dilma. Fora o fato de o Lula ter pedido ela de "presente de aniversário", ela sequer consegue enrolar uma boa resposta em perguntas básicas (aliás, se tivesse conteúdo, assumia que não lia e ponto!)! Bem, ela não é articulada em entrevistas, então ela deve ter um bom currículo? Não, também não. Então não entendi.

A questão é que nossa política está tão viciada que, fatalmente, não faz diferença quem vá entrar lá em cima. Ou você acha que o Brasil está próspero porque o Lula é presidente, e que o governo dele foi melhor que o do FHC porque o Lula é melhor? Ah, vá estudar...

Essa nossa euforia, esse conforto, essa sensação maravilhosa de que "as coisas estão indo bem" são o mais puro reflexo de uma economia estável. Se nós, consumidores, estamos consumindo, as coisas estão indo bem. E, afinal, nós estamos mesmo! Não?!

A questão é que este conforto não vem da iniciativa pública, aquela merda viciada que já se perdeu no comodismo e lobbismo. O conforto vem de empresas privadas e bem estruturadas que nascem aqui, crescem e ganham o mundo, trazendo capital pra dentro do país e valorizando nossa moeda.

Daí temos boa economia, e se a economia está boa ninguém reclama. Você acha que o Collor foi ruim? O problema do Collor foi não pagar as pessoas certas. O Lula foi mais esperto, pagou todo mundo e declarou que não sabia de nada! Daí, conseguiu até botar uma Dilma na presidência, sem que sequer as pessoas se perguntassem "qual Dilma"? Até porque, se perguntassem, aposto que ele ia dizer que não sabia de nada também...

Nosso presidente se orgulha de não ter diploma sequer do ensino fundamental completo, e nosso povo burro acha que, com isso, temos um governante que se assemelha a nós. Deixa eu te dizer uma coisa: não precisamos ter alguém que se assemelhe a nós lá em cima. Precisamos ter alguém que seja melhor que nós, que entenda de coisas que nem eu nem você parou para estudar um dia. Você não gosta de ter um presidente de empresa que é "bom pra cacete"? Que "manda muito bem"? Por que diabos isso é diferente pro seu país então, po?

Ouvi estes tempos que a desigualdade da população está melhor agora, temos uma classe pobre ascendendo. Bacana, então eleger a Dilma é sinônimo de bolsa-família mais próspera. Votemos.

Mês passado, quando eu disse que votaria certamente no Tiririca, reforçando que "pior do que tá não fica", meus amigos moralistas tiraram as garras pra fora e atiraram pedras e facões. Estou farto deste moralismo ignorante. A política do país está uma merda, está viciada. Você acha falta de respeito um palhaço ser eleito? Pois eu acho falta de respeito eu ser taxado de palhaço pelo meu próprio governo. E quem não lembra da dança do mensalão? "Mas isso sempre teve", né?!

Neste caminho, eu tenho certeza que vamos chegar ao primeiro do mundo. Se depender do próximo governo, seremos de certo manchetes constantes nas colunas de humor e de escândalos públicos por todo o mundo.

Mas nossa política está viciada, e não conseguimos mudar. Por uma coisa bem simples: assistimos Tropa de Elite 2 e achamos um "bom filme de ficção". Ou, pior: achamos que é exatamente o que ocorre, e que precisamos mudar isso - votando na Dilma.

Hoje, fiquei com nojo de ser brasileiro. Senti vontade de gritar, de sair deste ninho que fede a merda velha. Vejo amigos comemorando a eleição da Dilma, e tenho vontade de perguntar a eles uma, uma razão sequer pela qual as pessoas tenham votado nela.

E não é que eu tenha votado no Serra por opção. Com todo o meu corpo, posso dizer que votei nele pela falta de opção mesmo.

Por fim, com esta eleição medíocre, acredito apenas ter reforçado o que já penso há muito tempo. Eu faço parte da iniciativa privada, e preciso fazê-la prosperar e fazer a diferença - porque, se depender do poder público, continuaremos como viciados que fogem da clínica de reabilitação.

E viva o Brasil! ponto.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Puta merda, hein TIM?!

Como apoiadores da equipe de Curitiba na corrida Nike 600k, na figura do site Linha de Chegada, e contando com a boa vontade da galera da V8, resolvemos fazer uma cobertura paralela à oficial durante os 3 dias de prova. Os próprios atletas da equipe levariam um laptop e um modem 3G na Van de apoio, e quem não estivesse correndo estaria "tuitanto", postando fotos, e baixando os GPSs com os trechos, publicando-os no Linha. Legal, não?!

Acontece que, para que isso fosse possível, nós tivemos que providenciar o laptop e o modem em um dia - eles estavam saindo de viagem hoje! O laptop foi fácil, pegamos um da própria GHN. Porém, como a empresa não dispunha de um modem, precisamos providenciá-lo - e, de certa forma, rapidamente. Tínhamos exatamente uma terça-feira para ter o modem nas mãos. E a odisséia começava...

Eram 9h quando pedi a uma colega da empresa que fizesse uma busca por todas as possibilidades de internet móvel pré-paga. Isso porque não temos uma necessidade constante de uso disso, precisávamos apenas para 3 dias.

Não precisou de 30 minutos para que eu estivesse sendo apresentado às possibilidades: a TIM e a Vivo eram as únicas que ofereciam o serviço pré-pago. Na TIM, tínhamos vantagens: o modem era mais barato e a internet, pelo mesmo preço, tinha o dobro de limite de tráfego (500MB, ante 250MB da Vivo). Era a melhor opção!

Como o escritório da GHN fica próxima ao Shopping Estação, eu iria rapidamente na hora do almoço, compraria o modem e estava tudo resolvido. Ah, ilusão...

Ao chegar na loja "TIM Classic", perguntei se eles possuíam o modem. "Não", respondeu-me o atendente. "Apenas no Mueller ou no Barigui, que são lojas próprias. Aqui só vendemos pós-pago.". Fiquei um pouco chateado, mas tudo bem; afinal, é uma loja da TIM, por quê não faria a venda e a habilitação de pré-pago?!

Encucado, voltei à empresa. Novamente, minha colega passou a mão no telefone e ligou para a loja. Falou com outro atendente, que desmentiu o primeiro. "Temos sim, custa R$132", respondeu ele. Ao ser questionado dos planos, ele respondeu sobre as possibilidades de plano diário, semanal e mensal, nos informando os valores.

Um pouco embasbacados, voltei lá no meio da tarde. Quando solicitei ao vendedor o modem e a habilitação, fui surpreendido com um "Nossa! Pensei que ela só queria a informação, não sabia que ela mandaria alguém comprar efetivamente! Nós não vendemos planos pré-pagos aqui, só posso te vender o modem. Você precisa ir na loja do Barigui, é a única loja própria da TIM em Curitiba; é a única que habilitará pré-pago".

Era pouco mais de 14h e meu humor já não estava mais como antes. A situação parecia tão simples de ser resolvida que não poderia estar consumindo tanto tempo...

Bem, às 17h30 saí apressado da empresa (a fim de evitar o trânsito), e às 18h adentrei o shopping Barigui. Respirei aliviado quando cheguei à loja da TIM, e meu humor foi direto para o inferno quando a recepcionista da loja me disse "não, não temos mais modem! E pré-pago nós não habilitamos!".

Fiquei sem reação. Eu estava na loja própria da TIM, a única da cidade, e não consegui comprar nem habilitar um modem. Não parecia simples pra você?!

Bem, fui até o quiosque indicado. Eles tinham o modem. Eu sorri, alegre. Por um breve momento, pensei que meus problemas estivessem resolvidos. Mas eu tinha - eu tinha! - que perguntar sobre o pré-pago. "Ihh.. os últimos 3 que habilitamos deram problema, não habilitaram, vieram reclamar... O sistema da TIM tá fora! Tenta na loja própria!".

Eu respondi que eles não faziam habilitação pré, e o próprio atendente do quiosque me questionou incrédulo: "Como não?! Eles são loja própria, se eles não fazem ninguém faz.". Faz sentido pra você? Porque pra mim fez. Eu pensei um pouco e voltei na loja...

Olhei bem pra cara da moreninha e perguntei "você tem certeza que vocês não habilitam pré-pago?". Ela me disse "Sim, tenho!". Quando eu questionei sobre eles serem loja da TIM, uma vendedora pegou a conversa e disse "bem, nós habilitamos sim, mas se o sistema do quiosque está fora, o nosso também estará; não podemos fazer nada".

Eram mais de 19h e eu desisti. Fui para a loja da Vivo, há "2 lojas de distância". Lá, a moça que me atendeu era um pouco nova e nunca tinha feito uma venda de internet pré-paga. Por isso, demorou. 30 minutos. Isso mesmo. 30 minutos depois, eu saí de lá com meu modem, meu chip, e tudo certo.

Ou quase tudo. Cheguei no carro um pouco incrédulo e resolvi testar o modem. Não conectava. Voltei à loja; eles me deram mais 10 minutos de atenção, tentando de N formas ver se o modem estava com problema; por fim, me disseram que o chip demorava cerca de 2 horas para habilitar, mas que estava tudo certo. Não precisou nem de 1 hora; em casa, quando cheguei, o modem já conectava, maravilhosamente bem.

Fiquei embasbacado com a TIM. Quer um resumo dos fatos?
1. A TIM oferece um serviço (internet pré-paga), mas em Curitiba não dá pra habilitar sequer um celular pré-pago.
2. Não tem modem, e quem tem não vende!
3. A rede de revendas da TIM é tosca; tosca; tosca. Não tem outra palavra. É tosca. A franquia da Casa do Pão de Queijo é melhor (pelo menos lá eles sabem exatamente o que tem, quanto tem e quanto custa!).
4. A loja própria da TIM, que só tem uma em Curitiba, é mais perdida ainda. E, em geral, eles sempre têm razão. O cliente é quase um acessório...
5. No total de tempo dedicado somente à TIM, entre eu e minha colega, a gente pode colocar aí umas 3 horas (entre ir na loja, ligar, tentar comprar, etc.). E no final das contas, eu só tive 3 horas de vida a menos.
6. Entrei na Vivo e a atendente, mesmo sem nunca ter feito uma habilitação daquele jeito, me entregou o modem em 30 minutos. E ele funciona!

Puta merda, hein TIM?! ponto.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Far, Far away...

Descanso? Não. Não nos feriados em que o pessoal do voo livre resolve partir para um lugar onde dá voo... O destino, desta vez, foi Terra Rica, no noroeste do Paraná. São 560km do mais puro asfalto pista-simples para mais de 100km do mais puro "flat land". Com isso, ir para a pacata e quadrada cidadezinha se torna sempre uma viagem memorável a todos nós. E desta vez, naturalmente, não foi diferente...

Saímos de Curitiba no final da sexta-feira, com uma expectativa enorme: a previsão era fantástica para todo o feriado, apesar da chuva estrondosa que havia tomado conta de todo o sul do mundo no dia anterior. Às 18h estávamos na estrada e passava um pouco da 1h quando chegamos. A ida, na verdade, é uma parte que não dói tanto. À exceção de passar por dentro de Maringá, o que toma um bocado de tempo por conta dos radares a 60km/h, a dose de ânimo - e, no meu caso, a de sono - dá conta do recado e segura a viagem sem grandes problemas.

Como havia uma etapa do paranaense planejada para o feriado, ficamos num alojamento cedido pela própria cidade. A quantidade de besouros era inacreditável e, por isso, mesmo dentro do quarto, armamos as barracas.

A primeira noite foi boa, e o sábado amanheceu ensolarado como havia muito não víamos por aqui. Tomamos café animados numa nova padaria da cidade, a Casa do Pão - se um dia você passar por Terra Rica, que esteja registrada a recomendação! : -)

Entre imprevistos e previstos, os dias de voo foram "ok". Eu cometi uma tremenda burrada no primeiro dia e preguei com pouco mais de 5km de voo. Lembro-me de ter ficado pelo menos 10 minutos sentado no chão, estático, olhando para cima, sem ânimo sequer para levar meu equipamento embora. Se eu tivesse um isqueiro eu provavelmente teria queimado todo meu equipamento ali mesmo, de tanta raiva de mim mesmo que eu sentia (é, o certo seria eu me queimar, mas não nasci masoquista!).

Recuperei um pouco a alegria de estar vivo quando ouvi no rádio que a Leila e o Galo Véio tinham feito o goal da prova, há nada menos que 50km de distância da decolagem. Foi um "golaço", que consagrou o recorde de ambos e o primeiro goal de ambos. Foi muito legal ouvir pelo rádio a alegria dos dois chegando lá, mesmo que eu não tivesse chegado...

Voltei à cidade e segui para o treino do dia previsto, já que o voo tinha sido "aquilo". Felizmente, 15km de corrida depois, não sobra muito desânimo nem raiva nem falta de amor próprio. Recuperei o ânimo e fui pra cima do feriado!

Alias, sobre o treino, teve uma constatação engraçada. Resolvi dar a volta na cidade, e constatei que ela tinha exatamente 4,08km de extensão (dando a volta). Isso significa que a volta maior do nosso parque Barigui é maior do que a cidade de Terra Rica inteira. Massa, hein?! : -)

Nos outros dias, pouco voo, mais um treino, mas muita, muita diversão. Na segunda-feira aproveitamos a falta de voo para dar uma mergulhada na represa, figurinha carimbada nas nossas trips pra Terra Rica. A água estava muito boa, e a escalada clássica para baixo da cacheira nunca esteve tão difícil - a correnteza estava muito forte!

E foi isso. Hoje, acordamos já com o objetivo de vir embora - parando em Tibagi para voar, caso houvesse condição. Não havia. Passamos direto, e às 18h já adentrávamos Curitiba sãos e salvos. Ou melhor, salvos. Depois de alguns dias de convívio entre os amigos do voo, inevitavelmente surgem dúvidas sobre a sanidade de alguns de nós! : )

Mas, já que pelo voo, ou por nossos atos, eventualmente somos tidos por insanos, e já que até Machado de Assis surgiu nos papos do fim de semana, é de um personagem dele mesmo a frase que conclui este texto: "Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?" Abraços com a energia completamente renovada, e ponto!

domingo, 3 de outubro de 2010

Maluco Beleza!

"Enquanto você se esforça
pra ser um sujeito normal
e fazer tudo igual..."

Ah, lá se foram. Após um dia de hibernação, o despertador tocou. Fazia frio. E eu, mau humorado e bem alimentado, fui para o parque. Às 7h05 precisamente largaríamos para fazer o longão. 30km, chovesse ou fizesse sol. Não fez nenhum dos dois - para nossa alegria. E, para nossa alegria ainda maior, todos terminamos o treino vivos! Considerando, é claro, que vivo seja com o coração batendo! : -)

Despertar às 6h da manhã em pleno domingo de frio e garoa não é exatamente o tipo de coisa que me deixa de bom humor. Mas o despertador não sabe disso, e na maior alegria me tirou de algum sonho - que naturalmente não lembro qual era - e me botou no mundo real. Eu devia acordar, prever como estaria o tempo às 10h, me vestir, comer e ir para o parque. Garoava, daquelas garoas bem finas que só servem para nos esfriar, enxarcar e deixar o ar úmido. Jóia!

Cheguei no parque e o termômetro marcava 5o.C. Ventava e ventava gelado. Olhei ao redor e tinha umas 4 pessoas correndo no parque já naquela hora. "Gente doida", pensei com meus botões.

Quando me aproximei do guarda-sol da V8, o pessoal já estava animado. Entre apoiadores e corredores, devíamos estar em 20. 20 pessoas com uma coisa em comum - ou melhor, duas: o gosto pelas corridas e a falta de um parafuso na cabeça, pra estar em pleno domingo chuvoso no parque.

É que... Sabe quando você cresce acreditando que domingo é o dia do descanso, e quando fica nublado / garoando você só precisa de pipoca, cobertas, filme e boa companhia? Então, eu sou dessa realidade! Mas, como dizem, "no pain, no gain". Ninguém mandou estabelecer a maratona de Curitiba 2010 como meta...

E bem, pontualmente às 7h05 largamos. Fomos do Barigui ao Passaúna. Dentro do parque corremos todos juntos, numa espécie de arrastão mesmo. Mas logo que saímos fomos nos desgarrando. Eu, pra variar, fiquei um pouco sozinho. Uns 5km depois eu estava quase chegando nos irmãos de Paula, mas alegria de pobre dura pouco: eles só fariam 20km, e corremos apenas 2km lado a lado (antes que eles fizessem a meia volta).

Um pouco de solidão e cheguei no Passaúna. Pouco antes de chegar, começou a tocar Maluco Beleza no iPod. Eu dava risada sozinho a cada verso - e eu nem tinha corrido tanto ainda, pensa no estado mental que eu tava! E logo que cheguei no portal de entrada do parque a música entrou no refrão. Eu pareci um demente abrindo os braços e cantando alto que ia ficar, com certeza, maluco beleza! Mas e daí, não tinha sequer uns Quero-Queros pra me acompanhar. Estava completamente sozinho, não avistava ninguém à frente (tinha um corredor) e nem atrás (tinha bastante)!

Correr é engraçado... todos nós chegamos meio juntos no parque, mas isso não impediu que eu não visse quase ninguém durante o trajeto. Um ou dois minutos de diferença foi o que bastou para que eu me sentisse o único mané correndo por todo o trajeto.

Foi legal que o treino foi organizado pela V8, e isso fez com que água, gatorade e gel de carbo (que eu tinha levado e dispensei) estivessem disponíveis para nós durante o percurso. Foi um apoio essencial...

Bem, e eis que o treino acabou. 2h29min31s depois de ter "largado", estava eu de volta, no parque. Quando eu cheguei alguns amigos ainda estavam lá. O Murilo falou "anda, anda um pouco". Eu precisei relembrar como fazia isso - parecia que só sabia correr, mas correr não conseguia mais!

Frutas, isotônicos, massagens, frios, risadas, conversas, e pronto. Eram 11h quando voltei pra casa, com a sensação de missão comprida. A missão desta semana, no caso. O próximo longão é de 33km. E que venha, porque agora me empolguei! Abraços, e ponto.

sábado, 2 de outubro de 2010

Enquanto isso...

A vida não está lá muito calma. Na verdade, estou em tantas atividades que uma ou outra começa a apresentar sinais de fraqueza. Em breve algumas serão tristemente cortadas da minha lista... Mas, enquanto isso não acontece, a gente vai levando!

Amanhã teremos um longão de 30km organizado pela V8. Por isso, o sábado chuvoso foi propício a não fazer nada. Fiquei em casa, comendo, dormindo, comendo e dormindo o dia todo. E agora vou ali pra cama, porque às 7h é a "largada" lá no parque. Ou seja, o bicho vai pegar! Já to ansioso, mas depois eu te conto como foi! :) ponto.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Até o fim

No melhor estilo dos Acústicos MTV, que nos últimos anos são a única coisa boa que a  música brasileira tem a oferecer - por ser repeteco do que foi produzido anos antes, estou replicando um texto dramático de 2007, quando participei da maratona de porto alegre. Pra quem nunca fez nada parecido, será drama demais. Mas... e daí?!

Foi difícil. E não apenas o físico. A cabeça... os pensamentos estavam pesados... E como uma barreira, eu quebrei. 32km após a ensurdecedora buzina da largada, quebrei. Olhei em desespero para a garota que entrega copos com gatorade. Disse "É difícil; é muito difícil", e sentei em sua frente. O sonho acabou.

Corri bem até os 30km. Incrivelmente bem. Porém, mais incrível ainda foram os 12 minutos que sucederam as já 3h20 de prova. Fiquei fraco, perdi as forças e parei. Lutava contra meus pensamentos, mas não foi suficiente... Pensei em cada "boa sorte" recebido, em cada palavra de incentivo. Mas não deu. Olhei para trás e não vi o Alysson. "Ele quebrou", pensei. 3 passos depois, meu passo foi de caminhada.

Ou algo assim. Na verdade, depois ter corrido cerca de 3h30 você simplesmente não se lembra exatamente como é andar. A sensação foi estranha. Tonteei, não tive equilíbrio. Olhei em volta. Dor, muita dor. E decepção.

Caminhei por cerca de 2 km tentando engolir a idéia do fracasso. Soluços de choro brotavam. Eu estava esgotado, triste pelo fracasso e ainda faltavam 10km para a linha de chegada. Olhei para a rua, pensei num taxi. Depois numa carona - os gaúchos aparentemente são boa gente. Por fim, continuei andando. E pacientemente passei o km 33, 34 e 35. Outros corredores passavam por mim, com palavras de incentivo - as mesmas que eu os tinha dito instantes atrás, quando passava por eles.

A maratona, naquela hora, desmoronou para mim. 42km de asfalto caidos sobre a minha cabeça. 42km de esperança, de crenças... Se já sofri tamanho fracasso, foi há tempo suficiente para que eu esquecesse. Era algo que só dependia de mim, e eu falhei. E custei a acreditar nisso, enquanto pensava que talvez a medalha não fosse tão merecida...

Ao mesmo tempo, um peso saia das minhas costas. Eu não precisava mais carregar o fardo de agüentar aquela corrida, pois de fato ela tinha-se acabado. Precisava, então, apenas decidir o que faria por mim mesmo. Para os meus amigos, familiares e interessados, contaria que falhara. E quanto a isso não haviam dúvidas... Mas e pra mim? O que EU guardaria para mim mesmo? Decidi que seria o fracasso como lição, e o esforço como memória. E pus-me a correr novamente.

Do km 35 ao km 38 corri, ouvindo novas palavras de incentivo enquanto - concentrado, muito concentrado - passava por meus então colegas de maratona, ou mesmo por anônimos na rua. Aliás, eu imagino que tais anônimos não tenham sequer noção do efeito que causam ao bater 3 palmas e dizer "vamos lá! você consegue!". Nessas horas, é preciso ouvir tais palavras de uma voz diferente da sua - não importando se quem as fala sabe ou não sabe o que está falando. Basta ouvir...

No km 38, uma nova caminhada... Novamente muita dor, muitas caretas, um choro seco... O peso do fracasso, quando você faz algo que realmente acredita que irá conseguir, é algo inesquecível. Será, de certo, uma sensação inigualável...

Aos 39, um senhor passou e disse "venha! venha comigo! falta pouco e nós vamos terminar juntos!". Com 56 anos e 46 maratonas de experiência, seu Mário salvou o fim da minha corrida. Eu estava esgotado, agora completamente esgotado,mas corri os últimos 3 km baseado simplesmente nas palavras de energia dele. Nada mais que isso. No final, "vou na frente para fazer o aviãozinho, e você vem atrás fazendo!". E fomos, nós dois. Ninguém mais prestava atenção na chegada da maratona, que já completava 5h05 no cronômetro oficial desde a largada masculina. Não me importei. Eu estava chegando. Corri, sorri, ri, abri os braços, fechei os olhos, e cruzei. Eu terminara. Andando, correndo, acabado, não importava. Eu terminei, e cheguei correndo. Quando cruzei a linha, até esqueci de todo o resto. Corri até o seu Mário, que já estava adiantado, e dei um abraço - como de pai para filho. E disse obrigado.

É provável que eu nunca mais veja o seu Mário; talvez eu nunca mais corra uma maratona, ou pelo menos nunca mais passe pelo que passei. Antes de fazê-la, achei que conhecia meus limites - físicos e psicológicos. Achei que já tinha chegado neles antes. Estava enganado. Conheci hoje o limite máximo da minha capacidade. Finalmente, pois já desacreditava em tais limites. Hoje, cheguei no limite da emoção, onde o choro e o riso se encontraram; e no limite do físico, onde o movimento e o descanso se faziam indiferente. Hoje eu conheci mais um pedaço de mim, é também me decepcionei comigo. Mas foi, de fato, uma experiência incrível. Sorte minha tê-la feito antes de morrer. Como dizem, agora eu posso dizer... Antes de morrer, todos devem fazer uma maratona. ponto.

Meu pensamento não quer pensar de novo!

Então vê o vídeo aí e finge que leu alguma coisa! haha.. ponto.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

42.195, o número do ano!

Começou. Os trinta e poucos quilômetros rodados na semana passada marcaram a última semana de base para a Maratona Internacional de Curitiba, que rolará dia 21/novembro na minha pequena, pacata, fria e quente cidade natal. E eu, um dos milhares de doidos apaixonados por esportes, estarei lá comemorando os 41 quilômetros restantes quanto passar a plaquinha do "1km". Legal, hein?!

Pra chegar lá inteiro, adotei uma assessoria de corrida, a V8. É bem diferente do que só sair correndo... Os treinos vão vindo semanais e de acordo com o que você consegue fazer. Também, a cada treino eu fico sabendo se foi bom ou poderia ter sido melhor!

E nesta semana a meta são 42km. Aos pouquinhos, isso vai subir. Devemos correr um máximo de 60km na semana (ou algo perto disso). No total, serão perto de 1500km rodados até a data da maratona. É mole ou quer mais?

E é isso. Este ano promete ficar pra história. Estou empolgado, eufórico, e cheio de vontade. Desta vez, os 42km serão vencidos com garra. A meta é 3h40, mas depois deste treino o Vitor já está  falando em 3h30. Será? Bom... eu me empolguei! Abraços, e ponto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Bate-papo

- E esse gato aí, não pula? - indaguei animado.
- Nãão, ele tá bem preso! E tem um cachorro também, mas o cachorro não veio hoje!
- Um cachorro?
- É, são um casal!
- ...
- Da onde você tá vindo?
- Ah, fui até o Hugo Lange, daí fui até o trilho do trem, passei pelo Bom Jesus do Lourdes e agora to voltando! E você?
- Eu fui no dentista arruma os dentes! - e abriu um sorriso sem riso. Tive um acidente! Abri a porta do carro do meu amigo e outro amigo nos atropelou! Eu e a porta! Daí quebrou tudo aqui na frente...
- Caramba! Mas agora tá tudo normal!
- Pois é, dentista muito bom! Arrumou tudo aqui na frente, e ele falou que o último passo vai ser uma limpeza geral. E essa ele vai fazer todo ano!
- É, tem que cuidar do sorriso, certo?! - indagava eu, ainda extasiado por conhecer aquela figura ímpar das canaletas do expresso em Curitiba.
- Opa, com certeza! E o dentista é muito bom...
- DAÍÍ, CACHORRÃO! - gritou um ciclista na direção contrária.
- DAÍEIEIEAUIOEU ldn 22@#23kfnAAAA AAH! sklnf slkfanf a - respondeu ele em tom animado, e continuou a falar comigo - o pessoal sempre mexe comigo, estão me conhecendo né...
- Pô, mas você é uma figura famosa! - eu respondi animado. - Já deve ser a quarta vez que te vejo por aí; esses dias te vi até lá no Cabral enquanto pedalava. Por falar nisso, como é o nome da sua gata?
- Aekldn.
- A o quê?
- Astra!
- Ahh, bonito... E o seu nome?
- José, mas o pessoal me chama de cachorrão por aí...
- Mas pois é... o pessoal me conhece... e graças à Deus que eu não fiquei assim. - ele apontou para um mendigo. Graças a Deus eu to aqui, feliz, saudável, e sem pedir dinheiro por aí!
- É, mas eles não estão assim só por vontade de Deus, certo?!
- Eeu acredito nisso mesmo! O que você é? Católico? Porque eu sou espírita!
- Não, sou ateísta!
- O que é isso?
- Descrente, sabe?! Mas eu respeito você acreditar, e confiar, e rezar, e ser feliz assim...
- Pois sabe que eu não acredito em bíblia? Acho uma baboseira! Mas sou espírita, minha mãe também era...
- Opa, eu viro ali!
- Aqui? Ah, então eu também vou virar!
- Legal! Mas só ando mais uma quadra!
- Por quê? Onde você mora?
- Morar? Lá no Portão. Mas eu trabalho aqui.
- Tá, mas como que você vai chegar ali? Trabalhar agora?
- Não! Tem chuveiro na empresa! Vou tomar um banho e vou pra faculdade!
- Ooooo loco! Onde é mesmo?
- Aqui, nesse prédio branco!
- E o patrão deixa você fazer isso?

Eu dei risada daquela conversa completamente descompromissada e gostosa...

- O "patrão" sou eu! - eu disse, e soltei nova risada.
- Oooooo loco, oh o cara, oh! hahaaa!! Que massa!

E demos risada, e eu entrei no prédio acenando para o "Cachorrão". Encontrar uma pessoa como ele no final do treino foi algo muito legal. "Como ele" no sentido de pessoa de bem, pra frente, feliz.

De certa forma, eu o admirava pela irreverência do gato desesperado em cima da almofada vermelha atrás da sua bicicleta. Agora, o admirava pela pessoa que ele era. É um cara são, consciente, e acima de tudo feliz. Ele não perguntou meu nome, eu também não disse. Ele não lembraria de mim. O papo foi como se eu encontrasse alguém muito famoso.

O Zé jamais vai lembrar que tivemos esta conversa. Mas eu vou fazer questão de mantê-la registrada, para que não caia no esquecimento. O mundo podia, mesmo, usar de um pouco daquela vontade de ser feliz. Abraços, e ponto.

sábado, 21 de agosto de 2010

Fui pro Lasik - e tô vendo tudo!

É um pouco inevitável falar dessa cirurgia de um jeito mais meloso do que ela realmente deveria ser. Na verdade, pela naturalidade do meu médico e das enfermeiras do centro de cirurgia ocular, eu poderia até ficar envergonhado de estar me sentindo tão bem por estar lá ontem. Na verdade, eu estava me sentindo com pouco mais de 3 anos. Não lembrava como falar, como reagir, nem nada. Estava ansioso, preocupado, aliviado, feliz e ainda um pouco cético. E a enfermeira chamou meu nome. "Vamos lá?", ela disse. Acho que sorria, mas não tenho certeza - ela estava "7º de miopia" embaçada.

Ao deitar na maca, a assistente me explicou sobre o funcionamento da máquina e os procedimentos. "Esta luz é a sua", apontando uma luz vermelha central que piscava, "e estas são a mira do médico", acendendo duas luzes laterais. E eu acatava tudo, ansioso e calmo...

Pra falar a verdade, não tenho certeza do que eu sentia naquela hora. Eu estava em uma espécie de transe, uma euforia. Eu queria gritar, explodir de alegria, e ao mesmo tempo queria ficar quieto, parado, no meu canto, curtindo aquele momento. Há 4 anos eu tentei fazer a cirurgia mas fui reprovado nos exames. Agora, havia passado em todos, e estava prestes a deixar os óculos - que tanto me atormentavam na vida.

Acho que para muitas pessoas o óculos é legal. Na verdade, já virou até acessório, certo?! Mas pra mim nunca foi. Eu nunca fui uma pessoa lá muito feliz por ter de usar óculos. Acho que na infância eu não me importava muito, minha mãe fez uma espécie de tratamento psicológico comigo de forma que não fui traumatizado por isso enquanto era un toco de gente. Mas na adolescência, naturalmente as meninas do Leblon nunca olhavam pra mim...

Usar lentes, desde os 15, já foi um salto na minha autoestima. Àquelas que meu "charme de intelectual" não convencia eu já conseguia enganar com um par lentes rígidas. Consegui saltar de paraquedas e praticar alguns esportes, mas o empenho para acampamentos e viagens sempre fora um saco.

Eu sei que parece drama, e de repente até é. Eu devia ser menos traumatizado por usar um par de óculos, mas acho que alguns assuntos realmente mexem com nossa autoestima de uma forma irrecuperável. No caso dos óculos, é provavel que principalmente pela adolescência, eu definitivamente não gostava deles. Fora que eles me atrapalhavam muito! Veja... Se eu fosse fazer uma corrida de aventura, eu usaria óculos - e teria a chance de quebrá-los durante - ou lente - e teria a chance de perdê-las no meio?

E ontem, dia 20 de agosto de 2010, recebi o melhor presente que poderia ter recebido até hoje. Sem exageros... E não é pelo valor do procedimento, bem longe disso. A partir de ontem, eu não preciso mais de um par de lentes para enxergar.

Ao sair da cirurgia, eu olhava tudo em volta. Tudo parecia diferente. Eu estava bobo... As pessoas me perguntavam se eu estava bem, e eu nem sabia o que responder. "Estar bem" era um conceito bem aquém do que eu sentia naquela hora. Eu olhava tudo em volta... Ainda com dificuldades de ler as coisas, eu conseguia ver longe, enxergar pessoas... Aos poucos, passava a ver melhor. Era inacreditável. Aliás, ainda é. Mas, na hora, eu fiquei em êxtase.

Minha mãe, que me acompanhou, se acabou de chorar de felicidade. Eu não chorei, mas foi equivalente. De fato voltei a ser criança por algumas horas. Quando voltávamos, eu olhei para a placa de rua e li "Visconde de Guarapuava". Demos risadas juntos, uma risada gostosa, leve, alegre, como se algo inacreditável acontecesse.

Certa hora, olhei para os prédios e disse à minha mãe que "agora eu conseguia ver as janelinhas". Segundo ela, eu disse exatamente a mesma coisa quando da primeira vez que usei óculos. Mas agora os tirava, a emoção era em dobro...

Eu sei que, lendo assim, parece exagero. Eu não era cego, afinal! Mas foi algo forte, realmente muito forte pra mim, pra minha família...

Ontem, quando fui para o banho, eu finalmente consegui me enxergar no espelho - menos embaçado. Eu não parava de sorrir, de rir... Eu enxergava o shampoo, o sabonete, o detalhe no azulejo... Eu enxergava tudo. Eu pulei - literalmente - de alegria, em frente ao espelho. Pulei feito uma criança. Eu me observava... Me sentia bem, até mais bonito (pff..). É incrível... Eu nasci de volta - e dane-se se pra você isso soa exagero!

Meu aniversário é daqui a 3 dias. Por insistência dos meus pais, foram eles quem pagaram a minha cirurgia. Daí, interpreto a cirurgia como um presente deles. Ou melhor, como O presente. O melhor presente que já recebi até hoje - e com grandes chances de encabeçar a lista para o resto dos meus dias. Ainda em êxtase, eufórico e contente, agradeço a todos que me mandaram boas energias - elas com certeza fizeram e fazem a diferença! Agora, vou ali voltar para a minha recuperação - que envolve não ficar no computador por muito tempo! Um grande, grande abraço, e ponto.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

É hoje!

É hoje. Depois de trocentos anos, trocentos óculos e muitas caixinhas de lente, tudo tende a virar passado agora, daqui a pouco. A cirurgia deve acontecer às 15h. Por enquanto, só ansiedade. Muita, diga-se de passagem. Mas vamo que vamo... ponto.

domingo, 8 de agosto de 2010

Voando duplo na cordi!

Não é que não tem acontecido nada na minha vida. Na verdade, tem acontecido tanta coisa que eu não consigo parar para curtir e contar uma só! Então, não conto nenhuma! :- )

Pelo fim de semana, ficam as imagens de ter voado com meu amigo e "quase família" Luiz! Abraços, boa semana e ponto!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Nos bailes da vida

(Escrevi ontem, mas postei no blog errado haha)

O que fizeram com meu tempo livre? Eu juro que lembro de tê-lo há bem pouco tempo... Mas bem, fato é que está tudo numa correria - daquelas saudáveis mesmo, feito treino de 20km (não machuca mas é longo!). Pra minha sorte, porém, entre uma correria e outra está dando tempo pra viver e respirar!

Meus treinos de corrida voltaram a ter certa regularidade, voltei a escalar às segundas e sextas (e parceiros são sempre bem-vindos), as aulas na faculdade voltaram num ritmo "mais que especial" (poucos dias por semana), e as aulas de samba continuam - agora, inclusive, acabei de voltar de um baile lá no 7 e 8!

Acontece que, entre uma coisa e outra, e ainda sem deixar de lado o fato de eu trabalhar todo dia - o dia todo, e os voos no final de semana, não está lá dando muito tempo para escrever no blog - só no Twitter e olhe lá!

Na última semana tive uma das melhores notícias da minha vida. Poucos sabem o quanto eu "gosto" de usar óculos... desde o jardim 2 as lentes me acompanham, seja rígidas em armações ou gelatinosas direto no olho... Lá em 2006, não tive os pré-requisitos pra operar a miopia, e a decepção do resultado negativo resultou numa das minhas maiores paixões de hoje: o parapente!

Mas, desta vez, a medicina evoluiu. Minha cirurgia deve acontecer muito em breve. Estou num êxtase que não caibo em mim, e ansioso pra que o dia chegue logo...

E por que eu to falando tudo isso? Ué, só pra deixar registrado! Abraços, e ponto.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A do dia...

- My mom was killed by a drug dealer!
- Your mother commited suicide!
- Yes, and she was a drug dealer!

Ainda dou risada vendo Friends! ehe... ponto.

sábado, 10 de julho de 2010

Um herói sobre duas rodas

Eu sempre digo que os esportes que pratico não são radicais. "Você pode morrer atravessando a rua", argumento quando alguém me diz que corro risco de vida ao voar de parapente ou mesmo pedalar por aí.  E isso é mesmo fato - você pode morrer atravessando a rua! Mas a cena de ver um "herói" de um destes esportes sobre duas rodas jamais fora tão chocante. Afinal, as duas rodas não estavam alinhadas uma frente à outra; estavam lado a lado, e eram movimentadas pelos braços do herói: as pernas dele já não se mexiam.

A verdade é que não foi a escalada que o deixou paraplégico. Um acidente de carro, provavelmente de alguma volta de balada com mais álcool do que sangue nas veias (do carro dele ou do carro que bateu neles, vá saber), foi o responsável por imobilizá-lo. Campeão não sei quando, campeão não sei da onde, mas sei que muitas vezes, pegava a mulher que queria dentro do ginásio, e intimidava quem ele queria com suas habilidades... Víamos vídeos no youtube de escaladas impossíveis que ele fazia sem grandes transtornos.

Mas, de repente, enquanto eu descia da parede, dois olhos forçadamente animados olhavam ao redor. As paredes nunca devem ter-lhe parecido tão altas, e talvez impossíveis, quanto agora, sentado e sem muita possibilidade de se mover. Ele estava magro, e as pessoas não o olhavam mais com admiração.

Na verdade, os novos da escalada não sabem sequer quem ele é ou foi. Mesmo tendo sido muito bom, foi esquecido em poucos meses. Ninguém está nem aí para o que ele fez; estamos aí para o que ele faz. E o que ele faz, agora, é empurrar o próprio corpo para frente e para trás com a ajuda das mãos e das rodas. E isso não pertence à escalada, portanto ele não pertence mais à escalada...

Este tipo de sensação me faz definitivamente cair na real, em relação aos esportes mas também em relação à vida. O que estamos querendo provar quando nos machucamos fazendo um exercício, ou quando colocamos nossa vida em risco por conta de um troféu a mais na prateleira? No caso do voo livre, por exemplo, a situação de arriscarmos até a última "brisa" é crônica em campeonatos... Mas até onde isso é válido?

Você, por exemplo, que não voa... sabe quem é o Cecéu? Frank Brown? Yassen Savov? Ou o melhor do mundo - que nem eu, que voo e sou competidor assíduo, sei?! E - pior... você sabe quem foi o campeão há 4, 5 anos?

Talvez precisemos mesmo de desafios para evoluirmos; mas a questão, pra mim, é bem simples. O desafio não pode ser contra os outros. O meu desafio é puramente contra mim mesmo. As vitórias devem representar algo para mim, não para os outros. Não valorizo meus troféus, medalhas ou títulos. Valorizo meus feitos, porque eles representam minha superação no nível mais íntimo. E, pra mim, esse é o valor real de ser competitivo: o incentivo para se superar sempre. A competição voltada para os prêmios, troféu, e imagem, acaba sendo vazia. Para mim, ela não passa de uma grande ilusão.

Eu não conheço o herói sobre as duas rodas que falei; apenas "sei quem é", porque o admirava enquanto ele ainda escalava. Então, não posso dizer das sensações dele hoje. Mas posso esperar que ele tenha feito tudo o que fez pelo prazer de fazê-lo, não pelo prazer de superar seus adversários - que não passam de seus amigos! Afinal de contas, estes, por mais que jamais tenham feito o que ele fez, continuam com as mãos sujas de magnésio e as botas sujas de barro. E ele, nosso herói que era melhor que todos, agora sequer terá a sensação de observar um pôr-do-sol de cima da montanha... É um herói morto. Ou pior: morto-vivo. ponto.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Semaninha animal!!!

Não é pra me gabar, é só que eu tô feliz mesmo!!

- Segunda bundeei, que nem um bicho preguiça.
- Terça corri que nem um cavalo.
- Quarta pedalei que nem uma lesma, e joguei vôlei que nem um galo véio (haha).
- Hoje, quinta, já pedalei que nem eu mesmo, e escalei que nem um macaco véio (sabe o que tem que fazer, mas o corpo já não responde...).
- E amanhã é SEXTA!
- E domingão, que já é outra semana, tem uma corridinha feroz! Dá uma olhada aí no vídeo do Rodrigo do ano passado ;)


Então, a semana foi boa. Saí da inércia e fui direto pro exercício! Vamos ver em quanto tempo consigo machucar o joelho desta vez!! Abraços, e ponto.

domingo, 4 de julho de 2010

domingo, 27 de junho de 2010

Lua cheia, vinho e fogueira! E, claro, a Cordilheira!

São muitas as paisagens que me marcam a memória, mas são poucas as que surtem o mesmo efeito que a lua cheia surgindo lá no "Santana de cima", o morro mais alto da Cordilheira do Santana - onde comecei a voar. E neste fim de semana, sugestivamente, foi marcada a festa junina do clube. É claro que eu não poderia deixar de ir. E quê divertido foi!

Chegamos lá no sábado à tarde; durante o dia tinha dado pouco voo, mas ainda rendeu um preguinho no mesmo dia. Lemba da minha troca de linhas do parapente? Então, ela não só funcionou como deu muita diferença! Mudou completamente o voo... Eu realmente não esperava. A vela está mais ágil, mais arisca, e muito, muito mais divertida!

E à noite tivemos nossa festa. Todos combinamos de levar alguma coisa, e o resultado foi uma abundância de comida, bebida e alegria. A Mari ainda estava de aniversário, e levou um bolo fantástico. Como não podia faltar a fogueira, sentamos à volta dela para admirar a lua, o vinho e dar algumas risadas bestas entre amigos. Afinal, um pouco de alegria não faz mal à ninguém.

Depois de algumas aventuras, resolvemos que a fogueira devia ser pulada. Em princípio ela parecia já menor, e por isso foi uma ótima ideia. Tirei minha blusa e jaqueta de nylon e resolvemos pular. O Raffa Cabelo foi o primeiro, e eu fui na sua cola. É engraçado. Visto de fora não parece muito. Ao pular a fogueira, dá tempo de olhar a fogueira, a fumaça, o fogo, a sua vida inteira, e cair. Quando caímos do outro lado, demos risada e o comentário foi "orra... não esperava tanto!". Literalmente deu tempo de pensar. Atos bobos que nos fazem voltar a ser crianças, mas e daí?!

O fato é que a cordi jamais perdera seu encanto. Comecei a voar lá, e é um lugar fantástico pra mim. É inevitável dar risadas por lá, todos são descompromissados com o voo. Eu gosto de ambientes competitivos, mas também gosto muito de estar num ambiente em que todos só se importam com o próprio voo, e com a diversão que é estarem todos lá no céu ao mesmo tempo. Pra mim, o fim de semana foi repleto de coisas boas. E o gás pra começar a semana não poderia ser melhor! Abraços, e ponto.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ah...

A lua estava mesmo cheia, mas se apagou agora. Olho ao redor e vejo um breu. Não há ninguém na rua, posso sentir. Ando e não ouço sequer meus próprios passos. Tirou-me o chão ao se afastar mas, ao invés de cair, voei. Estou leve, calmo, bem. Ficar acordado, hoje, valeu a pena. Você também fez minha noite valer mesmo a pena. Mas - é pena: foi só por uma noite. Na vida real, bem... da minha vida real, você não é parte. Que pena... ponto.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Voltando às corridas

Eu já tinha falado no Circuito da Lua Cheia de corridas de rua neste blog, e por isso ela dispensa novos elogios. Mas nesta terça-feira, meu dia de "folga" da faculdade, a corrida teve um caráter festivo. Comemoramos os 5 anos da comunidade de Corredores de Rua de Curitiba, um grupo de amigos e parceiros que começou tal como todo mundo começa a correr: devagar, e um passo de cada vez, e de repente a comunidade já junto mais de 2000 simpatizantes.

Eu entrei lá em 2006, quando ainda timidamente fizemos o primeiro encontro, e depois vieram as camisetas, a tenda, e por aí foi. Hoje o grupo já ganhou força o suficiente para carregar 60 pessoas numa noite extremamente fria para dentro do Parque Tingui, a fim de correr pouco menos de 9km e festar. E que festa!

Correr à noite é muito legal. Hoje corri novamente, desta vez quase 12km, fechando quase 30km na semana. Aos poucos retorno ao meu volume de treinos, e ainda mais devagar vou forçando meu ritmo para voltar ao que  corria antes. Devagar, mas ainda assim andando. Ou melhor, correndo! E neste clima sem muita inspiração, e sem muita pretensão, acompanhado de um bom vinho e de boa música, deixo meu abraço, e meu ponto.

terça-feira, 15 de junho de 2010

E a semana tá indo!

Desde que me converti de anônimo para blogueiro anônimo, se isso pode ser considerado um adjetivo, escrevo sobre o dia dos namorados. Impreterivelmente todo ano faço uma crítica, destrutiva ou simpática, sobre o tal do dia. Então resolvi mudar! Este ano não vou falar nada dele! :D

- O pessoal está marcando a 2a. edição do Pedal Fodax, que foi o ato estreante deste blog. Até parece que vou perder! Desta vez será "só" até Ponta Grossa, mas os caras foram criativos e conseguiram os mesmos 130km pela mesma estrada. Bacana hein?! O perfil altimétrico já revela que a viagem será deliciosa - como foi a outra.

- Quinta-feira começa minha semana de provas na faculdade. Ah, esta vida de universitário...

- Hoje teve a copa. Vi todos os gols - todos - no replay. Eu já fui mais animado pra ver 22 homens correndo atrás de uma bola... Vou confessar que já fui mais animado...

- Fui correr logo depois da copa. Ah, essa parte do dia foi boa!

E eu continuo no mesmo esquema... E ponto.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Troca as linhas do parapente, troca...

Com a previsão nojenta e uns 350 metros de linha ensacados na minha escrivaninha, decidi: quinta-feira seria o dia D; o dia em que eu trocaria as linhas do meu parapente. Ah, decisão boa...

Acordei animado às 8h30, em pleno feriado, e nem me distraí com nada. Tomei um café, empunhei a mochila e fui ao salão de festas do prédio, o local onde tem espaço para tal serviço.

Organizei as linhas em cima do balcão, abri metade do parapente, empunhei a fita crepe e a canetinha e comecei a etiquetar todas as linhas da galeria. Pra quem não sabe o que é galeria, é mais ou menos assim... Do parapente mesmo, saem 3 linhas do tirante A, 3 do tirante B, 4 do tirante C e 2 do tirante D (isso no meu, é claro). Em determinado ponto (uns 5 metros pra cima), estas começam a se dividir; uma do A vira duas, e depois cada uma dessas viram mais duas. Todas estas divisões são as linhas que eu tive que trocar. Numa conta rápida e relaxada, isso deve ter dado algo perto de 80 linhas. De cada lado.

Acontece que, por idéia do meu amigo e piloto Ronnie (e é claro que, eu tendo aceitado, a culpa é minha e não dele), eu resolvi guardar as linhas que tiraria do parapente. Afinal, por mais que tivesse havido o recall, as linhas estariam boas! Legal... então, comecei a etiquetá-las e retirá-las uma a uma.

Elas são presas entre si não por nós de sapato, ou cegos... Elas são encaixadas... Então, dá trabalho mas não é nenhum esforço. O problema é que REALMENTE dá trabalho... Demorei nada menos do que 5 horas e 30 para fazer o primeiro lado. Isso mesmo! Fui almoçar com 3 horas de serviço e voltei para mais 2 horas e 30 antes de acabar o primeiro lado.

Nesta hora, já estava exausto e tomei uma decisão. Não guardaria as linhas do segundo lado. Voltei até em casa e peguei uma tesoura... Abri o outro lado e tasquei-lhe as lâminas. Meu... Pensa numa dor no coração. Na boa... a cada linha cortada, parecia que um urso Panda estava morrendo. Foi um desespero muito ridículo! haha

Mas, no fim das contas, terminei o segundo lado em 2 horas e 30. Sem dúvida, foi uma decisão muito sábia a do corte...


E é isso. Na quinta-feira, acabei o dia com uma dor nas costas tremenda, por ter ficado sobre o parapente o dia todo. Também, quando fui falar com meu pai, não consegui falar direito... Minha língua parecia estar presa, como quem não a tivesse usado por muito tempo (um dia?!). Foi engraçado... Mas bom, agora, de linhas novas, resta saber se o parapente vai continuar voando. Aliás, resta torcer! Porque só vou saber disso quando estiver debaixo dele rs... Abraços, e ponto.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O SIV melhorou meu voo?

Desde que comecei a voar, uma coisa sempre foi unânime: todos têm uma opinião muito forte sobre fazer ou não fazer um SIV. Quem já o fez tem uma opinião extremamente favorável, e quem nunca fez tem milhares e milhares de argumentos para não fazê-lo. E eu, que nunca achei necessário mas sempre considerei interessante, me obriguei a fazê-lo para cumprir as exigências da ABP para o nível 3 e habilitação para voo duplo. E não é que eu gostei?!

Bom, na realidade, o vídeo de uns posts atrás já deixou bem claro o que eu achei da brincadeira. Mas resolvi fazer um texto um pouco mais voltado para as minhas impressões técnicas sobre o que o SIV representou pra mim e para o meu voo...

Em primeiro lugar, para a decepção geral dos fãs de SIV, não acho que o SIV vai melhorar meu voo. Aliás, tenho certeza de que não passarei, agora, a enfrentar condições mais turbulentas do que já enfrentaria antes. Ok, talvez minha pequena mas existente vivência em campeonatos tenha feito com que eu já tivesse entendido o que a turbulência tem a me "oferecer", e se eu tenho ou não culhões para enfrentá-la. Não importa. Reforço o ponto: não fiquei "mais macho" do que já era.

Isso porque não acho que o SIV vá ajudar meus reflexos. O próprio Kurt parece reconhecer isso quando mudou o nome do exercício de "colapso assimétrico" para "passeio a meia vela" (aqui estou supondo!). A diferença, sutil, existe: não estamos simulando um colapso, estamos vendo que o parapente voa meio fechado (literalmente meio, metade). Isso significa que você PODE controlá-lo quando tomar uma fechada; não quer dizer que vá ter este controle quando isso acontecer de verdade. Apesar da sutileza aparente, tenho para mim que há uma diferença enorme entre fechar a metade do parapente, e controlar a parte aberta, e "ter a metade do parapente" fechada. Nesta segunda condição, você eventualmente não estará preparado, e se a reação não for instintiva você poderá entrar em giro antes mesmo de lembrar o que fazer com o lado aberto. Daí, tenho pra mim que nosso corpo é quem deve estar condicionado a reagir ao parapente, e não simplesmente nossa cabeça. E o SIV está longe de proporcionar tal treinamento, uma vez que os exercícios são muito rápidos (a cada decolagem é uma nova brincadeira)!

Daí, pego o gancho de onde quero chegar. O SIV, pra mim, foi muito, mas muito bom, do ponto de vista técnico. Pude experimentar muito do que já tinha lido, e muito do que já tinha imaginado, a respeito do voo do parapente. Como ele fecha, como ele abre, como ele se comporta, e como ele não se comporta. Mas veja bem: estou falando que entendi, não que o senti. O que foi aprimorado, no SIV, foi a minha cabeça, não meu corpo. Aqui, então, fecho meu ponto do parágrafo anterior: não fiquei "mais safo" por ter feito um SIV; o que aconteceu foi que eu entendi melhor o que eu posso ou não fazer com meu parapente, e isso certamente melhorará meu voo.

Deveras, voltei de lá mais confiante mesmo. Falando um pouco do que rolou, os exercícios de espiral e derrapagem agregaram muito em termos de pilotagem, por ajudar a entender os limites do meu corpo (naquele) e do parapente (neste). Controlar a força G e fazer o parapente realmente encaixar as bocas para baixo era algo que eu sempre tive medo de fazer, por me sentir tonto ou desnorteado logo no começo da espiral. No SIV, porém, ganhamos estranhamente uma confiança para ir mais longe, e mais longe fui, e percebi que o problema da espiral é a ACELERAÇÃO da força G, e não a força em si. Uma vez encaixada, você passa a "viver" normalmente...

Na derrapagem, por outro lado, pude perceber que, no caso do meu parapente (um UP Summit XC), posso fazer 180º de curva sem estolá-lo, e que a negativa é só depois disso. Foi muito interessante ver aquela reação, e ver que o limite que posso chegar numa curva mais fechada.

Para fechar o SIV, insisti pelo full stall (e fiz!). O full é uma sensação muito legal, principalmente por ser muito mais amedrontador visto de fora. Como o Kurt falou, este não agrega nada na pilotagem, mas o "quase flyback" que eu fiz na segunda fez que executei a manobra foi interessante, me deu um pouco mais de mão e de confiança na pilotagem. Já tinha ouvido e lido sobre o flyback ser um "reset" para a "cascata de colapsos", e sinto agora que pode ser abordagem interessante, quando estiver alto e tomar muita porrada (mas muita mesmo!) mandar um full e flyback. Não sei, também, se um dia chegarei a precisar disso... Espero que não - ou espero que sim, isso depende do ponto de vista rs...

Enfim, é isso. O que quero dizer, no fim das contas, é que o SIV, pra mim (e talvez para outros), foi uma ferramenta fantástica para "desmistificar" muita coisa, e agregar no meu CONHECIMENTO do parapente e do seu voo. Não acho que seja um curso do qual saímos VOANDO melhor; mas acho, com certeza, que é um curso para ENTENDERMOS melhor essa coisa de voar e, assim, aprimorar nossos sentidos (e, por que não, instintos). Mas é claro que esta é minha opinião, bem particular e bem pessoal, e muitos irão discordar. E se este for o caso, o espaço para comentários neste blog não exige nem assinatura. Pode xingar à vontade! :- ) Um abraço, e ponto.

sábado, 5 de junho de 2010

Que mané frio, que nada!

Para os que moram em Curitiba/PR, como quem aqui vos escreve, acostumar-se com o mau tempo é uma tendência natural. E não é que o sol nunca apareça: na realidade, tenho quase certeza que sou eu quem não acorda cedo o suficiente para vê-lo. É que assim... Diz-se que aqui as quatro estações do ano acontecem no mesmo dia. Eu, particularmente, só tenho presenciado três: o outono, com vento forte, o inverno, com um frio desgraçado, e o fim da primavera, com o sol de 30 minutos e as chuvas de 3 horas.

Mas hoje, dia seguinte a uma chuva de uns 30mm, amanheceu sol. Isso mesmo, sol! Céu azul, com formações lindas, um vento sudoeste com rajadas de uns 35-40km/h, e sol! E eu, ignorando a parte do frio, fui pra praça correr. Pensa numa corrida!

Na realidade, quando se está de bermuda e uma blusa fina, de braços cruzados e caminhando em direção à praça, muitas pessoas te olham torto. Aí tem-se uma tendência perigosa de se acreditar que se está no lugar errado. Dá até vontade de voltar!

Mas a vontade foi anulada quando, ao chegar na praça, uma mãe corria e empurrava o carrinho da criança, que se divertia à beça achando que estava em alta velocidade. Sorri, me alonguei, e fui pro treino. Ah, o sol. Ele devia aparecer por aqui mais vezes... Abraços, um bom fim de semana para nós, e ponto.

sábado, 29 de maio de 2010

Vídeo do SIV

Pessoal, desculpe-me pela "não-filmagem" de algumas figuras definitivamente não menos importantes da viagem, como a Deise, o próprio Kurt e a família do Claudinho!! Acho que eu estava mais para fazer o curso do que para filmar desta vez!

Abraços, e ponto.



quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vai de Kombi! - Uma odisséia na estrada

Como eu já falei no relato anterior, a viagem para o SIV, em São Paulo, nos preparou inúmeras situações engraçadas e descontraídas. Dentre as melhores piores, com certeza a que mais ficará para a história foi o final da viagem. Eis que o domingo já beirava a meia noite e nosso motorista oficial, Nickelson Mello, se sentia sonolento. De prontidão, já que dormia desde as 18h, me ofereci para assumir a sua posição - oferta aceita de imediato! E em pouco mais de 15 minutos, eu deixava de ser passageiro: virei o MOTORISTA DA KOMBI!

Você já dirigiu uma Kombi? Se não, garanto que está perdendo muito!! E não falo só da diversão que é o ato em si. Tem muito mais!

É melhor que Redbull!
Dirigir uma Kombi faz com que seu sono desapareça. Aliás, seu e de todos os seus passageiros! Magicamente, quando paramos a Kombi e eu sentei na posição de motorista, todos os outros 7 acordaram! Estavam todos trêbados de sono, dormindo como crianças que brincaram o dia todo - o que não deixa de ser verdade - e, de repente, todos estavam "de pé". Sentia muitos pescoços me olhando curiosos e apreensivos lá de trás, como quem tivesse certo receio. É claro que este receio foi respondido com "aquele riso"! :)

A folga do volante
O Nick tinha comentado mas eu não sabia que era tanto. A desgraçada da Kombi tinha uma folga de meia volta no volante. Isso significava que, pra andar reto, ora eu tinha que estar "fazendo curva" pra direita, e ora pra esquerda. Manja?! Volante reto nem pensar, saia da estrada na hora. E era brusco! Tava reto, de repente dê-lhe andar pro lado! E dê-lhe corrigir! Estou com uma dor no trapézio por conta da tensão de dirigir com esta volta no volante...

O freio A falta de freio
Freio? Como assim freio? Quem precisa de freio?! Já na ida constatamos que a pastilha do freio já não existia mais, e não preciso nem dizer que não aconteceu qualquer mágica durante o fim de semana: na volta, a pastilha continuava "ausente". Mas, afinal, pra quê freio?! São 500km, não estávamos dando a volta ao mundo!!

A direção hidráulica
Não preciso comentar que a direção não era hidráulica, certo?! Isso é meio bobo, mas você já pensou em dirigir um carro longo, pesado, carregado, sem freio e com uma volta no volante, e ele ainda não ter a direção hidráulica? Então pensa... coisa fácil!!

A bonitinha no pedágio
É incrível, na vida de um homem, como as mulheres tendem a aparecer em momentos inoportunos. Em geral, se eu quiser encontrar uma garota linda que eu conheço e que não vejo há anos, por exemplo, basta eu estar há 5 dias sem fazer a barba, estar de óculos e ter ido trabalhar de "agasalho". É batata! Mas o que eu não esperava era me deparar com uma garota bem, mas bem bela, em pleno pedágio. Meu, isso lá é lugar de ter mulher gata?! E eu de Kombi. Ela nem me deu boa noite...

O som sacana
A Kombi tinha um som (pelo menos isso!), e tocava até CD (!!!!!). Mas tinha um problema: as caixas de som eram só atrás. O que ocorre com isso? Simples. Você não ouve direito, mas todos os passageiros - que querem dormir - ficam quase surdos! Nesse ponto, pensando bem, até que foi uma vantagem passar à direção. Ficou mais fácil dormir! :- )


Mas o mais incrível mesmo é que tudo isso sequer chegou perto de estragar a viagem. Tenho certeza que foram poucas as vezes nas quais me diverti tanto viajando com um grupo "enorme" de pessoas. Então, fica aí a dica: se tá afim de se divertir de verdade, VAI DE KOMBI! Abraços, e ponto.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

E eu fui pro SIV!

Depois de 10 meses de espera, sadias mudanças de planos e a feliz coincidência da nossa agenda com a agenda do Pedro (isso, o São Pedro), finalmente aconteceu o dito cujo: fui pro tal do SIV, pra entender melhor aquele monte de pano em que confio a minha vida nos fins de semana. E não é que o monte de pano é batuta?!

Pra quem não sabe, o SIV - Simulação de Incidentes em Voo - é um curso feito para aprimorarmos nossas técnicas de pilotagem e conhecer melhor o parapente. Vamos para cima da água (de uma represa, por exemplo) e simulamos situações adversas do voo, e como poderíamos sair delas.

Sexta-feira foi um dia corrido. Com o lançamento previsto do site de um cliente, não tinha muito tempo a perder: precisava agilizar tudo pois às 15h30 nos encontraríamos na casa do Nick, da Nick Fly, para carregar o carro e tocar viagem. Vencido o primeiro desafio (o site foi pro ar!), fui-me em direção à primeira aventura do fim de semana: a viagem. Afinal, fomos de Kombi!


O destino era Mairiporã, uma cidade próxima à capital de São Paulo. E oito animados passageiros (Rodrigo, Deise, Carolzinha, Ivo, Rodrigo, Jackie, Jander e eu), quatro equipamentos e meio, quatro câmeras filmadoras e várias digitais pequenas, elma chips a torto e a direito, muita ansiedade, e aquela velha pitada de falta de noção, marcaram a nossa ida.

Acontece que o nosso motorista por força maior Nick estava acostumado com seu Cherokee, que possui o mostrador do combustível invertido em relação à Kombi. Ele estava completamente despreocupado quando paramos para abastecer logo na saída, "só pra encher esse tantinho falta!". O tantinho fechou totalizou 32 litros, e um frio na barriga para todos nós pela "quase ficada" na estrada (o carro estava na reserva!!).

Mas parece que gostamos da reserva. Seguimos viagem e paramos novamente num posto, na metade do caminho, para colocar álcool. Estávamos com o ponteiro lá no vermelhinho, e o posto veio a calhar. Paramos, e o frentista nos informou que tinha apenas gasolina. Não quisemos, afinal álcool seria mais em conta. Nos foi passada a informação de que a 40km havia um novo posto, e o Nick buscou de seus consultores oficiais (eu e o Rodrigo) a resposta para a velha pergunta: "será que vai dar??". "Claro que dá!", respondemos animados! E fomos pra frente...

O legal foi que o posto realmente estava lá, a quase 40km. O problema é que ele não estava aberto, e tivemos que passar reto. Aos poucos, o silêncio tomou conta do carro. Quem dormia acordou, quem estava acordado ficou ainda mais pilhado. A cada metro que a Kombi andava aumentava a tensão e o silêncio. Pra ser sincero, a única coisa que descia nesta hora era mesmo o ponteiro do combustível, que já chegava no limite. Não havia mais acostamento, e estávamos subindo a serra. Não era exatamente a melhor situação para ficar sem combustível, e todos nós sabíamos disso. E é claro que ninguém quis falar nada!

E, de repente, a visão do paraíso. Como que acompanhada de vozes de um coro de igreja (fazendo OHHHHHH), a placa do posto apareceu e entramos. Chegamos, respiramos, e ficamos satisfeitos com a nossa previsão - afinal, estávamos no posto! E a exatos 2 metros da bomba, "pof pof pof"... a Kombi morreu. Em princípio, pensamos que o Nick estava bricando conosco, mas não estava: o combustível tinha realmente terminado ali, exatamente em frente à bomba! Caímos na gargalhada, e este foi exatamente o clima com que continuamos a viagem: gargalhadas e mais gargalhadas...

Já na Russolândia, hotel/marina em que ficamos hospedados, encontramos com o Kurt. Passava das 2h da manhã, e resolvemos que às 6h nos encontraríamos para começar o briefing. É mole ou quer mais?!

Fomos para o quarto e as surpresas continuavam. Eu, Ivo e Jander - o cinegrafista - ficamos no mesmo quarto, e o chuveiro deste tinha um pequeno problema: o ralo estava entupido de areia. O chuveiro era fantástico, água quente e muita pressão, mas não bastavam dois minutos de água caindo para que o box inundasse. E o pior: depois do box, vinha o banheiro!! Eu, como era de se esperar, inundei o banheiro logo de cara, fazendo uso do oportuno rodo deixado atrás da porta...

E o despertador tocou, e fomos ao curso. Foi muito legal ver o Kurt, que considero uma referência de pilotagem de parapente em termos nacionais, ali na nossa frente falando um pouco sobre o voo e sobre tudo. É interessante ver que o "cara" que escreveu um livro que você já leu realmente existe! rs...

(Apesar da admiração, meu "bom humor" matinal esteve presente até o café. Só pra deixar registrado!)

E fomos ao curso... Sobre o curso, em si, teremos vários vídeos que postarei aqui à medida que aparecerem. Sei dizer que a experiência foi incrível, e valeu mesmo cada centavo pago. Ganhei muita segurança em manobras como o espiral, que até hoje nunca tinha encaixado realmente, e o full stall, uma manobra que desmonta seu parapente lá em cima - e te faz rezar para que ele reabra. :- )

O Nick foi mais para tentar retomar algumas manobras mais avançadas, já que tempos atrás ele era piloto acro, e se contentou com apenas dois voos. A Carolzinha fez quatro voos, mandando inclusive espirais e iniciando o treino para o Wingover. O Ivo foi cabra macho e também mandou dois full stalls de dar gosto! Claudinho foi que foi no espiral, aproveitando o último voo pra encaixar direitinho e treinar a saída sem pêndulo. O Rodrigo também aproveitou para praticar a espiral, e quando falo isso nem preciso falar que o resto das manobras saíram numa boa! E o Jander, nosso cinegrafista oficial, foi até nos barquinhos de resgate para pegar todos os ângulos. Os vídeos, de certo, ficarão fantásticos. Mas estes vocês terão de esperar...

Sobre o curso, acho que vale comentar o quão satisfeito ficamos com a estrutura do Kurt. Incrivelmente bem organizado, passamos o curso sem qualquer stress. Fizemos muitas decolagens em cada dia, mas tudo ágil - não apressado. Uma tenda garantiu nossa sombra enquanto descansávamos, e frutas e água fizeram com que ficássamos tranquilos. Isso tudo somado ao visual da represa, às companhias muito bem "selecionadas", e ao "barranco" perfeito formado na área de decolagem, fizeram do SIV uma das experiências mais divertidas que já tive me termos de voo.

Não tenho qualquer pretensão de abandonar a carenagem e o voo de cross. Mas vou confessar que toda aquela força G desperta uma criança muito da apimentada dentro de nós! he he he he he... Um forte abraço, e ponto!

domingo, 16 de maio de 2010

Ah, Gaspar...

Se eu pudesse fazer uma lista dos três lugares em que mais tenho tesão em voar, Gaspar, em Santa Catarina, estaria nela. E foi com este ânimo que embarcamos na quinta-feira, às 21h, para mais um campeonato: a etapa catarinense do Sul Brasileiro de Parapente!

Passados os momentos de tensão no drive thru 100% ineficiente do Habib's, logo na saída de Curitiba, fizemos uma viagem tranquila. Era pouco mais de 1h quando chegamos e armamos as barracas no pouso, debaixo de um céu estrelado e promissor. A previsão do tempo previa sol para os três dias e, portanto, dormir era essencial.

E foi. No dia seguinte, acordamos "entubados" e com frio. Uma nuvem nos cobria por toda a extensão do vale. Só não cobriu nosso ânimo, que se manteve e fez sair um tremendo sol! E os caminhões do resgate chegaram (vê no vídeo!). Pensa numa frota, hã?!. Tração 6x6. Isso mesmo, 6x6; tipo 4x4, mas 6x6! E uma notícia triste: só tinha um motorista. Ou seja, sobe tudo empilhado num dos caminhões!! Mas bora lá!

O tempo só melhorava e, pouco tempo depois, decolamos para um baita voo. Muitos pilotos coloriram o céu, numa provinha "curta" mas fantástica, contra-vento. Na verdade, em Gaspar ou em qualquer outro lugar, voar sobre as plantações de arroz, pastos, clube de aeromodelismo, construções, fábricas, e sobre qualquer outra coisa, é um prazer inesgotável. A cada vez que o variômetro apita, a energia parece se renovar lá em cima!

Infelizmente, um cirrus tampou o sol e todos caímos. Eu tive a alegria de pousar com dois conterrâneos, a Clarice e o Raffa, e ainda com o Samuel (piloto Sol) e o Angelo (meu concorrente do catarinense hehehe). Mas a prova, ainda que divertidíssima, foi invalidada e só valeu para a premiação da etapa.

No sábado a mesma condição (nuvem e frio) nos acordou, porém uma camada mais grossa cobria o céu e a prova não aconteceu. Tal qual hoje. Com duas provas canceladas, viemos embora mais cedo, logo após a premiação.

Ainda assim, com duas provas canceladas, a festa valeu como sempre. Tal como eu já falei aqui, o voo não é só o voo! As amizades que temos o prazer de ter e manter, de longe e de perto, pelo certo e pelo duvidoso, pela afinidade e pela diversidade, por qualquer coisa, as amizades são impagáveis. Como sempre, fomos extremamente bem recebidos pelos catarinas e pelo CPV, mesmo com nossos "excessos" em alguns momentos (haha). Mas, afinal, a vida é uma festa. Então, festemos! Aliás, festamos! E como festamos! Abraços, e ponto.

sábado, 8 de maio de 2010

Pelo vinho, e por você.

Para mim, quero pra sempre a beleza do vinho. Entendo que existam outras, mas as desdenho a cada gole, e cada vez mais. E enquanto minhas papilas degustam o gole anterior, o vinho dança delicadamente à minha frente, como quem admira o trabalho realizado e espera o próximo. E o próximo virá, e depois outro, e outro... Deveras, hei de consumi-lo sempre, ou ao menos enquanto eu dure. E não falo isso como desejo. Falo como mandamento.

Pois minha vida até perderia o sentido sem o amor, mas perderia a graça sem o vinho. Seria um desperdício, uma lástima, se eu, subitamente, deixasse de admirar a beleza encorpada de uma taça à demi, com seu perfume sedutor e seu charme inigualável. E - coloque-se em evidência - que eu jamais precise resistir a este charme, tal qual eu jamais hei de resistir ao charme de quem me encanta.

Hoje, minha boca deixou de estar seca, e meu corpo deixou de estar ansioso. Estou calmo, incrivelmente calmo. E com uma sensação gostosa, e perigosa, de satisfação, desejando não que esta dure para sempre, mas que eu possa aproveitá-la sempre que me deparar com ela. Hoje, estou descansado. Estou leve. Estou bem. Pelo vinho, e por você. ponto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Comi palhacitos no café!

E tô feliz! Pra começar bem a segunda-feira...


O canibal vai ao mercado para comprar um cérebro para o almoço e vê o homem do mercado fazendo grande propaganda à qualidade dos cérebros de profissionais de informática que tem em oferta. O canibal então pergunta ao homem do mercado:
- Quanto é que custa o cérebro de programador?
- Trinta reais o quilo.
- Humm! E tem de analista?
- Sim. Oitenta reais o quilo, é da melhor qualidade.
- E de DBA?
- Tem também. Produto raro, cem reais o quilo, e demora mais para fritar.
- E de usuário?
- Também temos. Quatrocentos reais o quilo.
- O quê? Mas usuário é o que mais tem por ai. Como pode ser tão caro??? - pergunta o canibal, perplexo.
- Você por acaso faz idéia da quantidade de usuários que é preciso matar para se conseguir um quilo de cérebro?

(hein.. vá dizer que essa charge não tá totalmente relacionada aos usuários? hahaha)

Abraços, e ponto.

domingo, 2 de maio de 2010

Sonhei, e fui

- Sexta-feira foi dia de Ambiental Bar, com Zamba Groove e Bati Malu agitando a noite. Muito legal a noite, nos divertimos à beça - como sempre - e estamos com alguns planos junto ao bar. Vamos esperar e descobrir...

- De sexta pra sábado, sonhei com ela.

- Tendo acordado às 14h, o sábado de voo virou um sábado cult! Fui ao MON com a Gi, e à noite fomos à apresentação do Julião Boêmio e Nilze Carvalho no teatro da Caixa. Fantástica a apresentação! Nosso grande Luis Rolim, batera da Zamba, dividia o palco com outros excelentes músicos. E a Pati, que "volta e meia" chega "um pouco" atrasada nas coisas, quase ficou pra fora: lá no teatro da Caixa o terceiro sinal significa "trancar a porta"! Ninguém mais entra! Foi questão de 1 minuto! Altas emoções rs..

- E o domingo foi guardado ao voo - e que voo!! 1h30 do mais puro ar, num voo termal que serviu de muito treino e muita diversão. Uma farofada como raras, lá na Cordilheira do Santana... Estou ainda extasiado pelo voo, que pareceu ser a recompensa pela semana de cão que tive.

E, por isso, fico por aqui! Abraços, e ponto.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Faltou

Parei,
respirei,
pensei
e m'intriguei.

Pois não me faltavam alegrias,
ou dinheiro,
ou amigos.

Faltava-me a cama quente
naquela noite fria,
o som do silêncio
no barulho do dia,
o banho escuro
sob a lua que se enchia,
e a voz suave
no ouvido que já não ouvia.

o jeito sexy na festa culta,
a porta batendo no dia sem vento,
a revolta incrédula porque não ocorria.

faltava o brilho,
faltava o contraste,
faltavam as cores,
e faltava o dedo certo, no acorde certo.

faltava o tom, faltava o dom,
faltava a harmonia e também seu toque bom.
faltava a voz, que já se omitia,
e o vinho seco, que seu beijo molharia.

ponto.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

200 por hora

É impressionante o ritmo em que conseguimos chegar se nos deixarmos... Agora universitário, fora empresário, voador e teimoso corredor de rua, meu corpo parece cada vez mais se viciar nesse ritmo frenético que já havia abandonado outrora. Durmo tenso, acordo tenso, voo tenso, corro tenso... A tensão me persegue; sinto-a empreguinada no meu corpo, correndo pelas minhas veias e sendo expelida nas entrelinhas das minhas falas.

E o pior é que sei onde isso vai chegar, e não consigo impedir. Estou ligeiramente preocupado. Pela primeira vez, em anos, estou preocupado com a minha preocupação. Meu corpo está cansado, cansado mesmo. Sinto ele reclamar, mas não quero dar-lhe a trégua.

E pra compensar, um feriado que começou ensolarado terminou num dia cinzento e medonho. Dois pregos marcaram a ida pra cordilheira, cujo vídeo ficará guardado para futura referência; um baile muito legal no 7 e 8 agitou um pouco o fim do dia, que acabou sonolento e serviu de (des)ânimo para acordar "bem" na quinta-feira com cara de segunda-feira... Falando sério. Da próxima vez que algum lazarento for encabeçar alguma inconfidência, faça isso de forma que seja feriado no dia da semana, não no dia do mês. Que nem a Igreja, que bota feriado na quinta ou sexta-feira. Essa coisa de dia fixo não dá! Po, feriado na quarta judiou demais!

Aliás, falar em dia 21/abril, véspera do descobrimento do Brasil (até rima!)... Por que diabos o dia 22 também não é feriado?! Abraços pesados, e ponto.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Diferente? Mesmo?!

Estive pensando sobre essa coisa de comportamento em grupo. Na verdade, estive reparando - ultimamente até demais - nos grupos por aí. Adolescentes, jovens, adultos... Você já reparou que as pessoas estão cada vez mais parecidas? Hoje no almoço, por exemplo, havia um grupo na mesa ao lado; você não sabia distinguir nem o sexo de cada um. Cabelos, tênis, roupas, formas de rir, piadas, caretas... Tudo era igual! E fiquei pensando... será que eles se encontraram por ser iguais, ou se "modificaram" para sê-lo?

Pois se há algo inquestionável é que ter amigos é essencial para a "sobrevivência". Na adolescência, multiplique-se isso por 10. Na vida adulta, ao que me parece, cada amigo representa um passo mais longe do abismo da depressão. Mas será que somos amigos por interesses em comum mesmo? Será que não nos omitimos, naturalmente, para nos encaixarmos num grupo que consideramos interessante?

Se isso for tido como verdade, podemos então pensar que não estamos olhando para pessoas quando as enxergamos, mas sim para um compartilhamento de características de várias pessoas; seria como pegar cinco pessoas, colocá-las no liquidificador e retirar outras cinco, misturadas e semelhantes. Afinal, "ser diferente" está muito fácil agora (se comparado a décadas atrás). Antes, você não tinha como ser diferente porque você nem sabia que isso era possível! Hoje, porém, você acorda e pensa que Hendrix é o cara mais legal do mundo; muda o cabelo, usa roupas diferentes, e a cópia está feita! Alguém gosta disso e resolve ser seu amigo; para isso, se omitirá do cabelo que gostava antes, comparará novas roupas, e passará a agir como você. E, assim, forma-se o grupo dos Handrix-like. Seguiu mais ou menos?!

Se não seguiu, tudo bem; são só pensamentos soltos que eu queria compartilhar. É que achei interessante pensar que poderíamos ser exatamente a pessoa que estamos julgando mal, que estamos tendo pré-conceito. Dificilmente nos olhamos de fora, pensando que, talvez, só talvez, seríamos pessoas bem diferentes se estivéssemos em outra realidade social, inserido em outro grupo.

A verdade é que perdemos a identidade; não sabemos mais como ser nós mesmos. Eu, pelo menos, preciso assumir: me tornei uma mistura de muitas das características que já li ou vi algo a respeito; e isso inclui músicos, milionários e empresários bem-sucedidos, familiares, amigos e até personagens de livros. Mas, afinal, já disseram outrora: a cópia é o melhor elogio. Eu copio mesmo! Abraços, e ponto.

domingo, 11 de abril de 2010

Vou te contar...

Os pilares convergentes, pintados de branco, encontravam-se no teto a muitos metros acima de nossas cabeças. Ao redor, paredes brancas e vidros, transparentes, emoldurados com madeira - tal qual o forro acima de nós. Não haviam mosaicos, apenas vidros quadrados dispostos de forma moderna. Três grandes lustres, presos à viga central do teto, desciam até o corredor onde a daminha, delicadamente, deixava pétalas de rosas. A noiva passaria ali poucos segundos depois. Os olhares eram alegres e ansiosos, e levemente encolhidos por conta do frio. Os vestidos brilhavam pouco, muitas vezes cobertos por um casaco que seria retirado mais tarde, na recepção. E a beleza de algumas mulheres transcendia seus corpos temporariamente escondidos, e irradiava pelo lugar sem pudor ou limites. Mas a alegria ultrapassava os valores da sensualidade de outrem, e a energia gerada era da mais pura e bela alegria. Mais um amigo se casava!

Sem dúvida nenhuma, foi o noivo mais tranquilo que já conheci. Abordando-me na porta da igreja, conversamos como se estivéssemos num evento qualquer. Rio de Janeiro, Aruba, voo livre, camisa e gravata rosa, e outros assuntos que definitivamente nem vêm à cabeça de um noivo comum. Num comentário pra lá de sincero entre eu e algumas primas dele, concluímos que a tranquilidade dele se dava pela falta de consciência do que ele estava fazendo. :- )

Brincadeiras à parte, casamentos são sempre muito legais. Há uma energia sublime nestes eventos, algo que, de fato, me causa a impressão de que não seria preciso mais nada além de todo aquele sentimento bom para que a felicidade estivesse garantida! Seja verdade ou não, e seja cristão ou não, devo reconhecer: tenho uma pontinha de inveja de toda a felicidade que vejo, em meus amigos, por ter encontrado a sua garota. Faz-me pensar que o Tom estava certo quando escreveu Wave... Abraços, e ponto.