sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Não consigo ver

Dentre as verdades escondidas nas aparências das pessoas ao meu redor, me deparo subitamente com a beleza em seu formato sublime. Parece-me que há "algo mais" no belo, algo que ultrapassaria a cor dos olhos ou forma do corpo. É como se houvesse um detalhe simples, trivial, mas não o consigo enxergar. Consigo sentir, e sinto que me perco por não entender o que tanto me encanta. É mais que o perfume, é mais que o sorriso, é mais que o olhar. É mais, é muito mais. Mas meus olhos, céticos, não me deixam ver. Não posso ver. Não consigo viver. ponto.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Entre sinais surreias e realidades severas

Sou do tipo cético em muitas questões, mas não dispenso o pensamento de que "algo conspira a meu favor" quando este algo pode ser bom. Aliás, é o que fazemos sempre que lemos o horóscopo, certo?! Adaptamos aquilo para nossa realidade, ligando o texto a fatos passados e, assim, forçando nossa mente a acreditar que as predições farão também sentido. Mas enfim, voltando aos "sinais conspirando a meu favor"... Há pouco tempo, enquanto esperava minha vez no cartório, estava reparando na tabela de preços. Você já parou para ler? Pois bem... dois itens me chamaram atenção especial:
  • Certidão de casamento: R$132
  • Atestado de óbito: R$15
Conseguiu ver o que eu vi? É um sinal, super claro! Morrer, nos dias atuais, está muito mais barato do que casar! Vá dizer que não é um sinal?!

Bom... fato é que, sendo ou não, tem gente que não pensa assim - para minha sorte! -, e ontem fui a um casamento de uma amiga. Na verdade, não só amiga, mas também irmã de uma colega de trabalho da Duty, e também a designer que fez a primeira logo da GHN Soluções. A logo já mudou, mas a amizade naturalmente permanece. E fui lá, devidamente trajado, prestigiar aquela alegria toda.

E que alegria! Ah, se os casamentos fossem tão bons quanto as cerimônias... Todos desejando somente o bem do "novo" casal, que de fato dava um baita passo... É algo louvável, mesmo! Fico sempre contagiado pela alegria concentrada dentro da igreja, onde todos se viram para os noivos e oram pelo bem daquele casal.

E eu, como bom religioso que sou, gosto de ir às igrejas para ver o que elas têm dentro. O Rodrigo, uma vez, citou no Transpirando.com que gostava de fotografá-las de fora. Eu gosto de vê-las por dentro. A arquitetura das igrejas é sempre tão bela quanto suja; o apelo da miséria vivida por Jesus em total contradição a todo o ouro onipresente. Madeira talhada, mosaicos... É uma arte impagável, que os fiéis eventualmente pagam com a própria fome. Fico sempre, sempre, impressionado...

Sei que toco num assunto delicado, e não quero aqui discutir religião. Exponho apenas o que vejo "de fora"... 

É claro que os votos feitos pelos noivos, que hoje já não são mais "até que a morte nos separe", mas sim "por todos os dias de minha vida", são sinceros. Mas será que todo o resto também é? Será que alguém pára para pensar no que a frase "Ele está no meio de nós" quer dizer; ou, no mínimo, será que alguém parou para pensar nela enquanto repetia? Você pára?

Vejo a Igreja católica criticar severamente as outras. Depois de tornar-me ateu, não consigo mais enxergar diferença. A lavagem cerebral é constante ali dentro, num ambiente que te instiga a parecer menor do que se realmente é, numa instituição que poderia matar a fome do mundo, mas não o faz pelo mesmo luxo que condena como pecado.

Mas uma coisa é fato: a arte das igrejas é fantástica. Sendo ela uma boa instituição, ou não, ela realmente tem bom gosto. Só é uma pena que esculturas de ouro não acabem com a fome do mundo... Abraços, e ponto.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Idiotice sábia...

Refletir... você pára para pensar sobre as coisas ao seu redor, de vez em quando? Sobre um ato que rendeu uma olhada esquisita, ou um gesto mal visto por alguém, ou um inimigo que te olhou com bons olhos pela primeira vez? E, quando você reflete sobre isso... você consegue se ver "de fora", se colocando na pele de uma pessoa diferente de você? Ou seu ego não deixa?

Tive minha primeira reflexão séria sobre a vida com 13 anos - no mesmo ano em que tive minha primeira desilusão amorosa séria. Tragédias sentimentais à parte, naquele ano, minha veia hiper-ativa, associada à empreendedora, resolveu que seria uma boa idéia fazer um curso de montagem e manutenção de computadores. Só se falava nisso, e naquela época resolvi abrir a PC & PC, junto com um amigo da mesma idade e do mesmo nível "geek" que eu. Bem... Preciso falar que a PC & PC nunca existiu?!

De qualquer forma, durante o curso, ministrado por um estudante de Engenharia da Computação - e, daí, a minha brilhante inspiração de estudar a dita cuja -, algumas frases faziam o papel introdutório da aula. Professores de adultos têm mania de fazer seus alunos refletirem. Eu, no auge da adolescência, ainda não sabia disso. E foi uma experiência legal...

Num certo dia, a frase colocada no quadro de fato me fez mudar a forma de ver o mundo. Melhor, me fez re-pensar na forma de agir em relação ao mundo. Tal frase se tornaria meu lema por muito tempo, e é atribuída a Abraham Lincoln...

"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota... do que falar e acabar com a dúvida."


Engraçadinha? Também achei. Mas re-leia com seriedade, e coloque-se fora de si, imaginando você em algumas situações recentes dentre seus amigos...

Apesar de hoje já não tê-la mais como lema, é incrivelmente fácil ser remetido a tal pensamento quando em meio a muitas pessoas. E acaba sendo uma forma divertida de tratar as situações, já que os peixes, mesmo os mais chamativos, também morrem pela boca.

Ainda assim, hoje em dia, aprisiono a frase com certo gosto egocêntrico - como um segredo que poucos sabem. E antes de sentir raiva por "ditos cujos", tenho uma sensação de conforto, de consolo. Ao que parece, sempre houveram idiotas no mundo. Sempre haverão. E sempre haverá os que, como eu, disfarçam sua idiotice na simplicidade do silêncio, deixando outrem com a complexidade da dúvida! Parece-me, afinal, um caminho mais confortável. ponto. ponto. ponto.