Subi no ringue pra aprender uma lição. Com 3 meses de treino, o Muay Thai já não lhe parece grego e você começa até a dar algumas dicas para os que são mais iniciantes do que você. E meu professor olhou com um olhar de "quer experimentar?". Não recusei. Nem hesitei, pra ser sincero... Mas não, é claro que eu não estava nem perto de preparado, mas não recusar as coisas que não podem te matar é mais ou menos como um mantra que tenho seguido ultimamente.
A verdade é que não podemos julgar nada que ainda não experimentamos. Por isso, era preciso experimentar - mesmo com todos os pré-conceitos que tenho em relação à luta em si. E lá fui... Com proteção das canelas à cabeça, "pode pegar" gritou o professor... Fui de leve, ainda não tinha entendido... E o barulho foi de estremecer!
Quando um soco de verdade bate em você, o barulho é assustador. Mas não é que doa; na realidade, dói muito pouco... Uma topada na quina da mesa dói muito mais, por exemplo... Um soco de boxe, ou um chute - contanto que com caneleira ou protetor no alvo do chute - não dói quase nada... Mas o barulho te deixa, de certa forma, meio burro...
Depois de alguns confrontos, com alguns socos dados, alguns chutes dados, e muita porrada tomada, eu não via mais sentido em continuar e disse que, pra mim, tinha dado. Não saí cambaleando nem machucado... A verdade é que - pude constatar - meu corpo está muito forte pra apanhar e se manter em pé. Mas a minha cabeça não estava pronta para tomar aquela sequência de golpes e continuar pensando, nem meu corpo estava pronto para reagir naquela velocidade... "Muito rápido", eu dizia pro meu treinador... "É muito rápido!"
Mas foi interessante. Ali, percebi que não basta saber dar um chute ou dar um soco... Dar um golpe é fácil quando a guarda está baixa... O difícil é perceber que se faz necessário reagir com um golpe ainda mais forte quando a vida está te dando porrada - ou melhor, uma sequência inteira de golpes! A verdade é que, sem o treinador parando a luta quando ela ficava muito intensa, eu teria apanhado até cambalear e cair - com certeza! O outro atleta era muito mais rápido e experiente, e eu... Bem, quanto mais eu apanhava, mais perdido eu ficava...
Percebi que tenho, sim, um ponto fraco... Eu já apanhei muito, já caí muito, e sempre me levantei... Mas percebi, ali, no ringue, ouvindo estrondos vindo do meu próprio corpo quando a luva batia nele, que às vezes é preciso reagir mais rápido. E que nem sempre haverá um treinador para separar a luta. E que nem sempre os protetores estariam lá. E que nem sempre você estará preparado naquele momento, mas que desistir pode te privar de coisas muito mais legais!
O que aprendi, ali, em poucos segundos, foi que o muay thai não é nada diferente da vida aos nos dar três opções: você pode nem treinar e, alienado à "adrenalina", você será feliz por não saber que ela existe. Ou você pode treinar mas não lutar, por medo de se machucar, e viver aquela vida morna conformada de quem não arrisca bater porque, eventualmente, vai apanhar e não saberá absorver os golpes. Ou você pode subir no ringue. Ali, só existem duas garantias: você viverá os melhores momentos da sua vida, e eventualmente os piores também. Eu, apesar de não simpatizar nada com UFC e afins, me descubro cada vez mais como do terceiro time. Troco a segurança por tomar alguns golpes bem tomados. A recompensa compensa! E ponto.
Que o fim está próximo, todo mundo sabe! Mas já que isso não podemos evitar, que tal combinarmos um pouco de saúde com um bocado de sorte e fazermos cada segundo realmente valer a pena?
sábado, 24 de março de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Sobre amar
...no fim das contas, amar é fazer feliz. Ser feliz é outra coisa. Ver o outro feliz também é outra coisa. Amar significa, única e exclusivamente, fazer feliz. Isso justificaria ser sempre diferente (o amor), já que cada pessoa é feliz de um jeito diferente. E isso justificaria a decepção quando o outro não aceita nosso amor - afinal, ver o outro feliz nunca bastará se não for por consequência de algo que nós mesmos fizemos.
Sorte nossa que somos humanos, e vivemos de comida e emoção. Fosse só comida, seria morno. Fosse só emoção, seria breve. E que bom é lidar com tudo isso... E que decepção também, afinal! Corro os olhos na vida dos meus amigos com um pouco de alegria, vergonha e tristeza... Alguns se gabam por amar infinitamente, e outros se desesperam por não amar. Parece, daqui de fora, que desaprendemos a amar a nós mesmos, e que agora o importante é externar o que vivemos. Daqui, parece-me que estamos correndo desesperados, e nem sabemos pra onde. Parece que mudar o status do relacionamento virou mais importante do que o "pedido de namoro" em si (e, confesso, tenho memória fresca, de experiência própria, sobre isso). E parece que voltar o status para solteiro virou motivo pra ganhar "curtir" e dizer "festaaaaa". Na boa... Pra onde é que estamos caminhando? Po, põe um pouco de amor na sua vida (ou no seu samba...) e bora viver, que a vida tá passando!! Feliz dia dos namorados 1, abraços, e ponto.
Sorte nossa que somos humanos, e vivemos de comida e emoção. Fosse só comida, seria morno. Fosse só emoção, seria breve. E que bom é lidar com tudo isso... E que decepção também, afinal! Corro os olhos na vida dos meus amigos com um pouco de alegria, vergonha e tristeza... Alguns se gabam por amar infinitamente, e outros se desesperam por não amar. Parece, daqui de fora, que desaprendemos a amar a nós mesmos, e que agora o importante é externar o que vivemos. Daqui, parece-me que estamos correndo desesperados, e nem sabemos pra onde. Parece que mudar o status do relacionamento virou mais importante do que o "pedido de namoro" em si (e, confesso, tenho memória fresca, de experiência própria, sobre isso). E parece que voltar o status para solteiro virou motivo pra ganhar "curtir" e dizer "festaaaaa". Na boa... Pra onde é que estamos caminhando? Po, põe um pouco de amor na sua vida (ou no seu samba...) e bora viver, que a vida tá passando!! Feliz dia dos namorados 1, abraços, e ponto.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Pra quem reclama que nunca viu!
Muita gente reclama nunca ter-me visto tocar violão... Na real, eu também nunca me vejo (de fora), e por isso também fico um pouco curioso... Quer dizer, o som do violão é muito diferente quando se está tocando em relação a quanto se está ouvindo...
E estava eu, cá com as 6 cordas, tocando, e resolvi gravar. O "ensaio" saiu sem erros, e a gravação cheia deles. Mas acho que é isso mesmo, certo?! Na teoria é tudo ótimo, e na prática é mais ou menos. (O Tom que me desculpe, onde quer que esteja...)
Então, segue meu - talvez primeiro e provável último - momento narcisista da história. E que saibam que isso tem mais a intenção de ser uma boa lembrança do que da autopromoção... Até porque teria que treinar muito pra que isso pudesse me promover de alguma forma rs... Abraços, e ponto.
E estava eu, cá com as 6 cordas, tocando, e resolvi gravar. O "ensaio" saiu sem erros, e a gravação cheia deles. Mas acho que é isso mesmo, certo?! Na teoria é tudo ótimo, e na prática é mais ou menos. (O Tom que me desculpe, onde quer que esteja...)
Então, segue meu - talvez primeiro e provável último - momento narcisista da história. E que saibam que isso tem mais a intenção de ser uma boa lembrança do que da autopromoção... Até porque teria que treinar muito pra que isso pudesse me promover de alguma forma rs... Abraços, e ponto.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Vamos contar pneus?
Cheguei em Pacatuba para um dia de voo comum. Bem, não bem comum... Estava em Fortaleza, finalmente atendendo a uma visita prometida há pelo menos 12 anos, já que se passam 13 desde que conheço a Gislene, e isso por si só ja tornava o dia incomum. Também, enquanto chovia no resto do país, lá fazia 30o.C já às 8h da manhã. Mas enfim, um bom dia comum de voo!
No "Bar do Pouso", entre aspas pois este é de fato o nome do local, esperávamos pelo Aluísio quando um garoto se aproximou. "Tatu", respondeu ele quando perguntei seu nome. Tatu era um menino pilhado. Perguntou com que parapente eu voava, e há quanto tempo eu estava na brincadeira. "5 anos", respondi... "E você, voa?". "Voo sim, há 8!", ele respondeu rindo. "Ué, mas quantos anos você tem?", perguntei bastante surpreso. "15!", ele me respondeu com orgulho na voz.
Ok, o dia já não era mais um dia típico... Aos poucos, me enturmei com o Tatu e o papo foi se desenrolando... Tatu é de Pacatuba mesmo, destes de coração bom que, esperamos, serão bons homens no futuro. E o papo fluia bem quando chegou o Bob, no mesmo estilo. De bicicleta e especulando sobre meu parapente, o papo melhorava.
Confesso que minhas capacidades linguísticas pareciam limitadas quando os dois se embrenhavam na conversa. Como que fosse gringo, entendia apenas metade dos papos, e por vezes levantava para olhar a condição, só para não parecer mau educado por deixar sem resposta algum comentário que eu não entendesse!
E, de repente, percebi que havia uma brincadeira entre os dois.
- 4 - disse o Tatu.
- Não, 5! Você se esqueceu do step! - retrucou o Bob.
- Ué, mas você tem certeza que o step tava lá? - treplicou Tatu e os dois caíram na risada...
E o papo continuou, comigo meio sem entender, até que passou um caminhão enorme. Os dois pararam concentrados. "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...", eu ouvia ambos sussurrando pra si.
- 14, soltou o Bob.
- Nada, 15!!
- É mesmo, 15! Então, 30!
- 30? - perguntei eu, querendo entender o que se passava.
- É, 30 pneus naquele caminhão! É que é assim... - e o Bob desenhou um caminhão no chão com uma vareta que segurava na mão enquanto me explicava... - ...daí, como tem dos dois lados, 30!
Aquela simplicidade toda, confesso, me deixou embasbacado. Contar pneus à beira da estrada... Olhei para o meu iPhone com desdém: ele não tem um joguinho para contar pneus. ponto.
No "Bar do Pouso", entre aspas pois este é de fato o nome do local, esperávamos pelo Aluísio quando um garoto se aproximou. "Tatu", respondeu ele quando perguntei seu nome. Tatu era um menino pilhado. Perguntou com que parapente eu voava, e há quanto tempo eu estava na brincadeira. "5 anos", respondi... "E você, voa?". "Voo sim, há 8!", ele respondeu rindo. "Ué, mas quantos anos você tem?", perguntei bastante surpreso. "15!", ele me respondeu com orgulho na voz.
Ok, o dia já não era mais um dia típico... Aos poucos, me enturmei com o Tatu e o papo foi se desenrolando... Tatu é de Pacatuba mesmo, destes de coração bom que, esperamos, serão bons homens no futuro. E o papo fluia bem quando chegou o Bob, no mesmo estilo. De bicicleta e especulando sobre meu parapente, o papo melhorava.
Confesso que minhas capacidades linguísticas pareciam limitadas quando os dois se embrenhavam na conversa. Como que fosse gringo, entendia apenas metade dos papos, e por vezes levantava para olhar a condição, só para não parecer mau educado por deixar sem resposta algum comentário que eu não entendesse!
E, de repente, percebi que havia uma brincadeira entre os dois.
- 4 - disse o Tatu.
- Não, 5! Você se esqueceu do step! - retrucou o Bob.
- Ué, mas você tem certeza que o step tava lá? - treplicou Tatu e os dois caíram na risada...
E o papo continuou, comigo meio sem entender, até que passou um caminhão enorme. Os dois pararam concentrados. "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...", eu ouvia ambos sussurrando pra si.
- 14, soltou o Bob.
- Nada, 15!!
- É mesmo, 15! Então, 30!
- 30? - perguntei eu, querendo entender o que se passava.
- É, 30 pneus naquele caminhão! É que é assim... - e o Bob desenhou um caminhão no chão com uma vareta que segurava na mão enquanto me explicava... - ...daí, como tem dos dois lados, 30!
Aquela simplicidade toda, confesso, me deixou embasbacado. Contar pneus à beira da estrada... Olhei para o meu iPhone com desdém: ele não tem um joguinho para contar pneus. ponto.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Ah...
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Fecha aspas, e ponto.
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
Fecha aspas, e ponto.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Fugi pra cozinha!
Eu gosto muito de escrever. Poucas coisas, de fato, me dão tanto prazer quanto escrever, mesmo que seja para ninguém ler. Talvez seja um desses sonhadores, com os pés fora do chão, que cresceram assistindo filmes de cartas antigas sendo encontradas em garrafas, e resolveram seguir os passos. Se a internet é um mar onde a gente navega, por vezes uso um blog como uma garrafa fechada. Escrevo algumas palavras, posto, e talvez um dia alguém leia.
Pra ser sincero, foi sempre assim que gostei de escrever, e historicamente perdi o tato de escrever em meus blogs quando percebi que eles tomavam uma dimensão acima do esperado. A última solução foi simples: retirei o contador de acessos, e estava tudo beleza!
Bem, agora eu resolvi... mudar o foco, e falar de algo que eu adoro - e, como muita gente por aí, sou um baita entusiasta (e não passo disso!). Eu vos apresento (rufem os tambores!!!): Henrique na Cozinha, o primeiro blog de culinária que não tem imagens, e o único blog de culinária que posta até receitas que não funcionam - mas sempre com comentários do autor.
A ideia é simples: eu sempre gostei de cozinhar, mas nunca tive uma cozinha. Por isso, por vezes usava os ingredientes dos meus pais, e tinha pena deles. Tinha medo de errar e pena de tentar ser feliz. Mas agora minha vida mudou: moro sozinho, e gasto quilos de massa no lixo para conseguir acertar uma receita de cookies, por exemplo.
Daí, a primeira ideia é fazer um livro de receitas. Mas ah, em um mundo tão moderno, em que HDs queimam todo dia e papéis envelhecem com o tempo, achei que um blog era a melhor ideia.
Espero que eu possa, ao menos, compartilhar as melhores presepadas que a minha cozinha me permitir com aqueles que tenho carinho. Abraços, e ponto.
Pra ser sincero, foi sempre assim que gostei de escrever, e historicamente perdi o tato de escrever em meus blogs quando percebi que eles tomavam uma dimensão acima do esperado. A última solução foi simples: retirei o contador de acessos, e estava tudo beleza!
Bem, agora eu resolvi... mudar o foco, e falar de algo que eu adoro - e, como muita gente por aí, sou um baita entusiasta (e não passo disso!). Eu vos apresento (rufem os tambores!!!): Henrique na Cozinha, o primeiro blog de culinária que não tem imagens, e o único blog de culinária que posta até receitas que não funcionam - mas sempre com comentários do autor.
A ideia é simples: eu sempre gostei de cozinhar, mas nunca tive uma cozinha. Por isso, por vezes usava os ingredientes dos meus pais, e tinha pena deles. Tinha medo de errar e pena de tentar ser feliz. Mas agora minha vida mudou: moro sozinho, e gasto quilos de massa no lixo para conseguir acertar uma receita de cookies, por exemplo.
Daí, a primeira ideia é fazer um livro de receitas. Mas ah, em um mundo tão moderno, em que HDs queimam todo dia e papéis envelhecem com o tempo, achei que um blog era a melhor ideia.
Espero que eu possa, ao menos, compartilhar as melhores presepadas que a minha cozinha me permitir com aqueles que tenho carinho. Abraços, e ponto.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
XCerrado - O Assentamento do Mosquito
Estávamos no km 75 e buscávamos a próxima cidade no mapa. Ainda era cedo e o nosso terceiro dia de voo estava rendendo! "Arraial da alguma coisa", reportei no radio. "Mas são 25km pra frente", o Gauchito respondeu. "Então, 100km de novo! Bora!!" gritei empolgado. À nossa frente, a maior roubada que já vi em voo. Pareciam ser 25km de "nada"... Uma terra com escassez de casas e nada à vista - literalmente nada, nem a cidade-destino.
"Arraial da Barra é o nome da cidade", gritou o Raffa que vinha logo atrás, e tocamos. O voo da terça-feira não estava fácil. Por 2 vezes, e em momentos diferentes, já tínhamos ficado muito baixo - coisa de 50 metros do chão. O cerrado estava colaborando conosco, mas entrar na roubada em um dia com aquela inconsistência não foi - confesso - a melhor decisão que já tomei na vida.
Lá pelo km 80 havia um asfalto que ligava nada a coisa nenhuma, mas de certa forma ele nos passou a segurança que faltava para seguirmos viagem... O problema é que depois do asfalto uma sombra tomava conta do lugar, que também era muito verde. A paisagem aqui era bem diferente do cerrado que estávamos habituados... Um rio cortava o local de norte a sul, e isso tornava toda a vegetação muito verde e arborizada... As opções de pouso diminuíram, e a união fez a força: a sombra enorme, o verde e a falta de pouso formaram a roubada mais medonha que já passei!
Aliás, que não passei. O Gauchito passou alto por ali e foi-se embora, tal como o Raffa. Eu não tive a mesma "sorte", e fiquei logo depois do rio - no melhor pouso que encontrei, e do lado de dois carros estacionados. Eram 16h30, e ali começaria uma loonga história... Deveras, não lembro de ter me "divertido" tanto quanto neste episódio...
Comecei a caminhar quando um carro passou por mim. O carro estava cheio, mas ele aceitou me dar uma carona até a cooperativa. "Levar até Arraial não vai te refrescar nada, lá também não pega celular e não chega asfalto não! Ali na cooperativa já pega celular, acho que está bom!".
A cooperativa, depois fui saber, foi o início da reforma agrária no Brasil. Atualmente estava abandonada, tendo apenas o mercadinho do João funcionando e a casa própria dele. Escola, Igreja e mais duas construções completamente abandonadas, jogadas às traças... "Eles vieram, construíram tudo pra gente, mas não ensinaram a gente a administrar. Daí deu tudo errado mesmo", me explicou depois um dos caboclos que estavam ali...
Bem, cheguei e o celular não pegava. O João logo se prontificou: "Pode usar o meu, tem antena ali em casa e pega bem!". E lá fui eu usar. Peguei a posição do GPS e fui enviar uma mensagem, já que o meu resgate era a Margareth (celular do Rio Grande do Sul) e o interurbano sairia injustamente caro para o pessoal ali. "Falha no envio: sem crédito para enviar a mensagem", acusou o celular dele. Bacana... Tentei ligar a cobrar para o pessoal, também sem sucesso... Por fim, liguei pra casa dos meus pais, em Curitiba, a cobrar. Pedi à minha mãe que anotasse as coordenadas de GPS e ligasse para a Margareth, mãe do Gauchito, para passá-las. Liguei 10 minutos depois e estava tudo certo, coordenadas enviadas.
Aí já eram 17h30, e eu sentei aliviado no mercadinho para tomar alguma coisa com o pessoal. Ouvi muitas histórias ali sobre a região, sobre o assentamento do Mosquito e todo o resto. Também ouvi história sobre o Arraial da Barra, que na verdade era Buenolândia, em homenagem ao desbravador de Goiás que tentara fazer dali a primeira cidade do estado. Sem sucesso, acabou se definindo Goiás Velha como a principal cidade histórica da região...
"Aceita um biscoito? Está é a comida mais típica da região, toda mulher prendada aqui faz!", me ofereceu empolgado o Pedro, que tomava uma cerveja junto com o Maguila ali no mercadinho... O Pedro parecia ser um cara "estudado", era paulista mas trocara a vida em SP pela vida em Goiás... Foi através dele que fiquei sabendo de várias questões, e que tive uma explanação do histórico do assentamento do Mosquito e da região.
A rosquinha, de fato, era boa. Pedi a receita, mas levei uma invertida: "num dianta eu te passar não! só quem é daqui acerta o ponto...", o Pedro comentou. "Mas vai queijo que vocês chama de queijo de minas (e me explicou como se faz o queijo), polvilho que a gente chama de polvilho azedo (e me explicou como se faz o polvilho azedo) e ovo.", completou o Maguila...
Maguila era um cara mais simples; parecia não ter estudo, mas parecia entender muito de tudo que ele podia. De fato, não falava bonito e a aparência era de "jagunço", mas ele tinha vários negócios na fazenda dele... Queijo, leite, gado...
Mas passou uma hora e eu não tinha nem notícias deles. A luz começou a baixar, os morcegos começaram a voar em volta de nós, e nada de ninguém dar sinal de vida... O João mandou a mulher dele ir para o culto sozinho: não poderia me deixar lá abandonado!
E foi do Maguila a idéia de irmos até a casa do Valdivino: "O celular dele é Claro, você pode colocar seu chip e tentar ligar para os seus amigos.". No caminho, ainda tentamos um "hot spot" de celulares Claro. "O pessoal que tem claro, às vezes, consegue falar daqui! Mas tem que subir nesta pedra aqui", falou o Maguila apontando uma pedra de 10cm de altura. Subi nela, e nada de sinal.
A caminhada continuou e foram 20 minutos bem caminhados. Imagine a cena: era um breu total, sem o menor sinal de luz elétrica em volta. Uma estrada ruim, por onde carros não passaríam, e apenas meu celular sendo usado como lanterna. Minhas coisas, inclusive carteira, ficaram no mercadinho do João, e eu estava caminhando para outro "nada" porque, em teoria, um rapaz tinha um celular Claro com antena de ganho. Por um breve momento fiquei até com receio...
Mas chegamos na porteira do Valdivino. "Daí a gente desce um pouco e eu chamo o Valdivino, porque os cachorros dele são bravos e ficam soltos no terreno.". Recuei. "Eita, agora fiquei com medo!", disse. "Nãão, pode ficar tranquilo"... E seguimos, sem muita tranquilidade mas sem muita opção também...
Avistamos finalmente a casa e o Maguila começou a chamar o Valdivino. "Ô Valdivino", gritava. E os cachorros gritavam do outro lado... E nada do homem aparecer... Até que o filho dele apareceu prendendo os cachorros... Com certo alívio, atravessamos mais um pequeno portão e chegamos no terreno da casa.
Estirado no quintal dos cachorros havia um crânio de boi, com sangue fresco ainda. Mais à frente, alguns ossos enormes... O cenário era, digamos, intrigante... Demos a volta na casa e o Valdivino, um rapaz de 40 e poucos anos, carneava um boi junto à família. "Programa de terça-feira", pensei... Enquanto ele tirava o sebo da carne, o filho brincava com os ossos, a mãe operava a moedora e a filha de uns 4 anos alcançava os bifes para a mãe. Família unida...
Ofereceram-me café. Na verdade, eu senti que todos estavam muito dispostos a ajudar com o que fosse... O filho do Valdivino me conduziu até dentro da casa, onde trocamos os chips e tentei contado com o pessoal. Eram 19h40, e eles já deviam estar no meio da roubada também - pois o celular deles é que não tinha sinal agora...
Desanimado, voltei à garagem onde o boi estava virando carne moída... "Senta aí, quer um café? Se você quiser, pode dormir aqui, tem cama aí!", exclamou o Valdivino. Eu, até agora, não tenho certeza se a sensação que senti ao ouvir aquilo era de alívio ou de vontade de dar risada mesmo. Qualquer que fosse, eu agradeci mas recusei! rs
Ficamos uns 10 minutos ali, e voltamos. "Pode ser que eles já estejam lá!", comentamos enquanto saíamos do terreno...
Assim que voltamos à cooperativa, meu rádio soou: "Henrique, Henrique, cadê você?", perguntava a Margareth. Como o radio que usamos no carro é mais forte, eu conseguia copiá-los mas não conseguia respondê-los. Aqui a ansiedade bateu forte. Já passava das 20h...
E as idéias começaram a surgir. "Sobe na cerca e tenta contato!", um disse. Subi na cerca, e nada. Ouvia, mas não respondia. "Vão até a igreja, que é mais alta!". A igreja, por sinal, era uma abandonada; seria um excelente cenário para a continuação da Bruxa de Blair, sem dúvidas!
"Bom, tem a caixa d'água!", argumentou o João. Quando eu olhei para ela, e avistei uma escadaria ao lado dela, pareceu que a vi iluminada e com trombetas ao redor. Era a salvação, eu subiria, conseguiria contato e seria aquela cena divertida!
Mas chegamos em baixo dela e o Maguila logo avisou: "não sobe muito, tem uns marinbondo ali no final da escada.". Bacana, hein?! Subi alguns degraus sem muita expectativa, e de fato não obtive retorno no radio. O João gritou lá do mercado: "Pode ficar tranquilo, queimamos tudo ontem! Está limpo!". E aí eu subi o primeiro lance de escadas...
E um receio bateu novamente: "e se essa escadaria cai?!". Não quis subir mais (até porque o segundo lance estava cheio de teias de aranha), e eu desci desanimado... Continuava copiando eles no rádio, mas nada de conseguir responder...
Isso se passou por cerca de 20 minutos, até que...
"Henrique, copia Guga?"
"Alo, na escuta?", respondi sem expectativas
"Alo, alo", respondeu o Gauchito. Hesitei, não sabia se era uma resposta ao meu contato.
"Alo, gauchito, na escuta?"
"Sim, na escuta!"
"Caaaaaaaaaara, não acredito que vocês me encontraram! Finalmente!!!", comemorava eu no radio. O pessoal ao redor foi contagiado e aquilo foi uma injeção de ânimo. Eles estavam pertíssimo.
Do outro lado, a reação não foi diferente. "Quem não acredita nisso somos nós!!!", falou o Gauchito... E o carro chegou, e aquilo era inacreditável!
Entrei no carro dizendo "vocês não acreditam na roubada que eu me enfiei!", e logo fui retrucado pelo João: "Acreditamos sim!" rs... E demos risada, e seguimos viagem...
O pessoal do resgate realmente foi muito legal, e sei que devo muito à Margareth e ao resto do povo por isso. Foi um total de 4h30 voando, e 4h na roubada. Quase "um pra um" rs...
Na volta, ainda tivemos um refresco aos olhos: fomos parar em Goiás Velha, uma cidade inteira tombada pelo patrimônio histórico. As ruas de pedra e casas sem quintal formavam um cenário belíssimo, que de certa forma refrescou tudo aquilo que havíamos passado havia pouco...
"E o voo? Bateu seu recorde de volta, pelo menos?", perguntou o Gauchito.
"Não bati nem 100km", respondi... "Deu 99,9km!".
Abraços, e ponto.
"Arraial da Barra é o nome da cidade", gritou o Raffa que vinha logo atrás, e tocamos. O voo da terça-feira não estava fácil. Por 2 vezes, e em momentos diferentes, já tínhamos ficado muito baixo - coisa de 50 metros do chão. O cerrado estava colaborando conosco, mas entrar na roubada em um dia com aquela inconsistência não foi - confesso - a melhor decisão que já tomei na vida.
Lá pelo km 80 havia um asfalto que ligava nada a coisa nenhuma, mas de certa forma ele nos passou a segurança que faltava para seguirmos viagem... O problema é que depois do asfalto uma sombra tomava conta do lugar, que também era muito verde. A paisagem aqui era bem diferente do cerrado que estávamos habituados... Um rio cortava o local de norte a sul, e isso tornava toda a vegetação muito verde e arborizada... As opções de pouso diminuíram, e a união fez a força: a sombra enorme, o verde e a falta de pouso formaram a roubada mais medonha que já passei!
Aliás, que não passei. O Gauchito passou alto por ali e foi-se embora, tal como o Raffa. Eu não tive a mesma "sorte", e fiquei logo depois do rio - no melhor pouso que encontrei, e do lado de dois carros estacionados. Eram 16h30, e ali começaria uma loonga história... Deveras, não lembro de ter me "divertido" tanto quanto neste episódio...
Comecei a caminhar quando um carro passou por mim. O carro estava cheio, mas ele aceitou me dar uma carona até a cooperativa. "Levar até Arraial não vai te refrescar nada, lá também não pega celular e não chega asfalto não! Ali na cooperativa já pega celular, acho que está bom!".
A cooperativa, depois fui saber, foi o início da reforma agrária no Brasil. Atualmente estava abandonada, tendo apenas o mercadinho do João funcionando e a casa própria dele. Escola, Igreja e mais duas construções completamente abandonadas, jogadas às traças... "Eles vieram, construíram tudo pra gente, mas não ensinaram a gente a administrar. Daí deu tudo errado mesmo", me explicou depois um dos caboclos que estavam ali...
Bem, cheguei e o celular não pegava. O João logo se prontificou: "Pode usar o meu, tem antena ali em casa e pega bem!". E lá fui eu usar. Peguei a posição do GPS e fui enviar uma mensagem, já que o meu resgate era a Margareth (celular do Rio Grande do Sul) e o interurbano sairia injustamente caro para o pessoal ali. "Falha no envio: sem crédito para enviar a mensagem", acusou o celular dele. Bacana... Tentei ligar a cobrar para o pessoal, também sem sucesso... Por fim, liguei pra casa dos meus pais, em Curitiba, a cobrar. Pedi à minha mãe que anotasse as coordenadas de GPS e ligasse para a Margareth, mãe do Gauchito, para passá-las. Liguei 10 minutos depois e estava tudo certo, coordenadas enviadas.
Aí já eram 17h30, e eu sentei aliviado no mercadinho para tomar alguma coisa com o pessoal. Ouvi muitas histórias ali sobre a região, sobre o assentamento do Mosquito e todo o resto. Também ouvi história sobre o Arraial da Barra, que na verdade era Buenolândia, em homenagem ao desbravador de Goiás que tentara fazer dali a primeira cidade do estado. Sem sucesso, acabou se definindo Goiás Velha como a principal cidade histórica da região...
"Aceita um biscoito? Está é a comida mais típica da região, toda mulher prendada aqui faz!", me ofereceu empolgado o Pedro, que tomava uma cerveja junto com o Maguila ali no mercadinho... O Pedro parecia ser um cara "estudado", era paulista mas trocara a vida em SP pela vida em Goiás... Foi através dele que fiquei sabendo de várias questões, e que tive uma explanação do histórico do assentamento do Mosquito e da região.
A rosquinha, de fato, era boa. Pedi a receita, mas levei uma invertida: "num dianta eu te passar não! só quem é daqui acerta o ponto...", o Pedro comentou. "Mas vai queijo que vocês chama de queijo de minas (e me explicou como se faz o queijo), polvilho que a gente chama de polvilho azedo (e me explicou como se faz o polvilho azedo) e ovo.", completou o Maguila...
Maguila era um cara mais simples; parecia não ter estudo, mas parecia entender muito de tudo que ele podia. De fato, não falava bonito e a aparência era de "jagunço", mas ele tinha vários negócios na fazenda dele... Queijo, leite, gado...
Mas passou uma hora e eu não tinha nem notícias deles. A luz começou a baixar, os morcegos começaram a voar em volta de nós, e nada de ninguém dar sinal de vida... O João mandou a mulher dele ir para o culto sozinho: não poderia me deixar lá abandonado!
E foi do Maguila a idéia de irmos até a casa do Valdivino: "O celular dele é Claro, você pode colocar seu chip e tentar ligar para os seus amigos.". No caminho, ainda tentamos um "hot spot" de celulares Claro. "O pessoal que tem claro, às vezes, consegue falar daqui! Mas tem que subir nesta pedra aqui", falou o Maguila apontando uma pedra de 10cm de altura. Subi nela, e nada de sinal.
A caminhada continuou e foram 20 minutos bem caminhados. Imagine a cena: era um breu total, sem o menor sinal de luz elétrica em volta. Uma estrada ruim, por onde carros não passaríam, e apenas meu celular sendo usado como lanterna. Minhas coisas, inclusive carteira, ficaram no mercadinho do João, e eu estava caminhando para outro "nada" porque, em teoria, um rapaz tinha um celular Claro com antena de ganho. Por um breve momento fiquei até com receio...
Mas chegamos na porteira do Valdivino. "Daí a gente desce um pouco e eu chamo o Valdivino, porque os cachorros dele são bravos e ficam soltos no terreno.". Recuei. "Eita, agora fiquei com medo!", disse. "Nãão, pode ficar tranquilo"... E seguimos, sem muita tranquilidade mas sem muita opção também...
Avistamos finalmente a casa e o Maguila começou a chamar o Valdivino. "Ô Valdivino", gritava. E os cachorros gritavam do outro lado... E nada do homem aparecer... Até que o filho dele apareceu prendendo os cachorros... Com certo alívio, atravessamos mais um pequeno portão e chegamos no terreno da casa.
Estirado no quintal dos cachorros havia um crânio de boi, com sangue fresco ainda. Mais à frente, alguns ossos enormes... O cenário era, digamos, intrigante... Demos a volta na casa e o Valdivino, um rapaz de 40 e poucos anos, carneava um boi junto à família. "Programa de terça-feira", pensei... Enquanto ele tirava o sebo da carne, o filho brincava com os ossos, a mãe operava a moedora e a filha de uns 4 anos alcançava os bifes para a mãe. Família unida...
Ofereceram-me café. Na verdade, eu senti que todos estavam muito dispostos a ajudar com o que fosse... O filho do Valdivino me conduziu até dentro da casa, onde trocamos os chips e tentei contado com o pessoal. Eram 19h40, e eles já deviam estar no meio da roubada também - pois o celular deles é que não tinha sinal agora...
Desanimado, voltei à garagem onde o boi estava virando carne moída... "Senta aí, quer um café? Se você quiser, pode dormir aqui, tem cama aí!", exclamou o Valdivino. Eu, até agora, não tenho certeza se a sensação que senti ao ouvir aquilo era de alívio ou de vontade de dar risada mesmo. Qualquer que fosse, eu agradeci mas recusei! rs
Ficamos uns 10 minutos ali, e voltamos. "Pode ser que eles já estejam lá!", comentamos enquanto saíamos do terreno...
Assim que voltamos à cooperativa, meu rádio soou: "Henrique, Henrique, cadê você?", perguntava a Margareth. Como o radio que usamos no carro é mais forte, eu conseguia copiá-los mas não conseguia respondê-los. Aqui a ansiedade bateu forte. Já passava das 20h...
E as idéias começaram a surgir. "Sobe na cerca e tenta contato!", um disse. Subi na cerca, e nada. Ouvia, mas não respondia. "Vão até a igreja, que é mais alta!". A igreja, por sinal, era uma abandonada; seria um excelente cenário para a continuação da Bruxa de Blair, sem dúvidas!
"Bom, tem a caixa d'água!", argumentou o João. Quando eu olhei para ela, e avistei uma escadaria ao lado dela, pareceu que a vi iluminada e com trombetas ao redor. Era a salvação, eu subiria, conseguiria contato e seria aquela cena divertida!
Mas chegamos em baixo dela e o Maguila logo avisou: "não sobe muito, tem uns marinbondo ali no final da escada.". Bacana, hein?! Subi alguns degraus sem muita expectativa, e de fato não obtive retorno no radio. O João gritou lá do mercado: "Pode ficar tranquilo, queimamos tudo ontem! Está limpo!". E aí eu subi o primeiro lance de escadas...
E um receio bateu novamente: "e se essa escadaria cai?!". Não quis subir mais (até porque o segundo lance estava cheio de teias de aranha), e eu desci desanimado... Continuava copiando eles no rádio, mas nada de conseguir responder...
Isso se passou por cerca de 20 minutos, até que...
"Henrique, copia Guga?"
"Alo, na escuta?", respondi sem expectativas
"Alo, alo", respondeu o Gauchito. Hesitei, não sabia se era uma resposta ao meu contato.
"Alo, gauchito, na escuta?"
"Sim, na escuta!"
"Caaaaaaaaaara, não acredito que vocês me encontraram! Finalmente!!!", comemorava eu no radio. O pessoal ao redor foi contagiado e aquilo foi uma injeção de ânimo. Eles estavam pertíssimo.
Do outro lado, a reação não foi diferente. "Quem não acredita nisso somos nós!!!", falou o Gauchito... E o carro chegou, e aquilo era inacreditável!
Entrei no carro dizendo "vocês não acreditam na roubada que eu me enfiei!", e logo fui retrucado pelo João: "Acreditamos sim!" rs... E demos risada, e seguimos viagem...
O pessoal do resgate realmente foi muito legal, e sei que devo muito à Margareth e ao resto do povo por isso. Foi um total de 4h30 voando, e 4h na roubada. Quase "um pra um" rs...
Na volta, ainda tivemos um refresco aos olhos: fomos parar em Goiás Velha, uma cidade inteira tombada pelo patrimônio histórico. As ruas de pedra e casas sem quintal formavam um cenário belíssimo, que de certa forma refrescou tudo aquilo que havíamos passado havia pouco...
"E o voo? Bateu seu recorde de volta, pelo menos?", perguntou o Gauchito.
"Não bati nem 100km", respondi... "Deu 99,9km!".
Abraços, e ponto.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
XCerrado - Recorde atrás de recorde
O segundo dia foi ainda melhor. Na verdade, como no domingo eu pude comprovar que as coisas aqui "funcionam", resolvi arriscar mais e voar mais concentrado na segunda-feira. Eu estava achando que, na inteção de voarmos em grupo, acabamos nos atrapalhando muito. Resolvi, então, que cada um faria o seu voo. No fim das contas, voamos a maior parte do tempo juntos, e deu tudo muito certo!
O voo foi mais clássico; se no domingo demoramos 40 minutos para estar na base da nuvem, na segunda-feira estávamos lá em 5 minutos, e já tiramos. Deu até pra esquecer de olhar o chão, e logo que saímos já busquei a cidade em cuja direção estávamos indo. Itaguaru, 40 e poucos km. Pareceria ridículo em outro lugar, mas fez muito sentido colocar a cidade na proa e seguir em direção a ela. Não olhamos para baixo até chegar lá...
E chegamos rápido. Desta vez, o resgate estava nos acompanhando (grande Margareth, mãe do Gauchito), e já posicionei ela da próxima cidade. E fomos em tiradas muito consistentes e constantes...
Eu e o Gauchito voamos muito juntos neste voo, nos ajudando constantemente. Em Itaguaçu ficamos baixo, e ele encontrou o canhão que nos salvou. Outra hora eu estava à frente, e assim fomos. Foi uma das primeiras vezes em que realmente consegui voar em grupo, estávamos em sinergia e com muita vontade de tocar o voo. O objetivo era voar mais rápido...
Aos poucos, o dia foi passando, os kms aumentando e o voo seguindo. O voo realmente estava mais rápido, e de repente começou a se tornar inesquecível também... Estávamos embaixo de uma cloudstreet quando, em uma termal de 3m/s, entrei pra dentro da nuvem. A base dela estava a 3000, e eu estava no cantinho dela... Segui em direção ao cross, subindo a 1.5, 2m/s, até que saí ao lado... A paisagem foi de tirar o fôlego; à minha esquerda, havia outra nuvem cuja base estava uns 200m abaixo ainda... Eu estava acima das bases, observando tudo aquilo à minha volta... Foi sensacional, e bem no dia que eu esqueci a câmera...
Seguimos o voo, perdi o Gauchito de vista (ele acabou buscando algo mais ao lado e nos desgarramos) e toquei o resto do voo sozinho... Já estávamos no final do dia, e pouco mais de 80 kms voados... Com toda aquela altura, eu me dei conta que faria 100km naquele dia - o que era meu objetivo da viagem, afinal! Fiquei contente, mas continuei concentrado...
Nesta hora, alcançamos um Torck 2 vermelho que voava bastante acelerado... Voamos um pouco juntos mas ele seguir para Nazários, e eu optei por jogar no caudal e a proa seria Santa Bárbara de Goiás. Cheguei lá sozinho e com pouco mais de 95km, e pude vivenciar certamente a paisagem mais bela que já vi em toda a minha (curta) vida de voador... A cerca de 1500m do chão, eu girava uma bolhinha de 0.6m/s junto com dois urubus, que pareciam me acompanhar em câmera lenta... No horizonte, a cerca de 10km de mim, uma queimada enorme, como que de cana de açúcar, estourava até o céu e formava uma nuvem logo acima... O chão era verde em volta, e a cidade do outro lado... O sol estava a meia altura (já eram 17h), e a cena era sublime...
Curti um pouco aquele zerinho e ele acabou. Observei no GPS a próxima cidade: Campestre. 13km. E no meio um "Marlboro" sem saída... Arrisquei. Logo no começo desta tirada bati em um 0.9m/s que me deu 700m a mais de fôlego. Ali não tive mais nem dúvida, toquei direto para Campestre. E bati os 100km!
Comemorei no rádio, porque as alegrias a gente deve compartilhar com os amigos. Festejei, gritei, e segui o rumo. E caí na roubada com 109km.
Mas e daí?! Havia batido meu recorde, estava eufórico! Gritei, pulei mais um pouco, e então tratei de dobrar rapidamente meu equipamento. A preocupação agora era com a luz do dia. Eram 17h30, e eu estava a 3km de Campestre.
Em 15 minutos estava tudo guardado, e comecei a caminhar. Mas é claro que não existem estradas retas, e a caminhada rendeu exatos 6km (1 hora) até o asfalto. Cheguei exausto, acabado, e de noite. No fim da caminhada, eu já não enxergava nada. Filmei um pouco disso e postarei aqui quando editar...
Cheguei ali e contatei o pessoal. Eles ainda estavam buscando o Raffa, que tinha tomado outro rumo (pousou com 105km, acho) e só depois iriam me buscar. E o asfalto era escuro...
E não é que eu tenha medo de escuro, mas ficar no breu, na beira da estrada, e com um mato se mexendo quando era iluminado, não é exatamente a melhor sensação que já experimentei. Com 20 minutos de espera, joguei a mochila nas costas e resolvi caminhar mais 3 quilômetros e pouco até a cidade. Usei o celular como lanterna para iluminar meu caminho, e fui marchando...
Aí sim cheguei acabado. Parecia bêbado. As pernas não andavam mais retas. Avistei um bar na entrada (Stop Bar), fechado. Andei mais duas quadras e havia uma pamonharia e pastelaria. Estava aberta... Dei graças. Cheguei e sentei-me sob olhares assustados do pessoal que comia por ali. Pedi dois sucos e dois pastéis, que me custaram R$8. Os 8 reais mais bem gastos da viagem até então!
E ali esperei até 20h30, quando chegou o Gauchito, a Margareth, o Irani e o Raffa para me resgatar. Neste dia, chegamos à Jaraguá às 23h30, e eu estava acabado. O saldo do dia, além do recorde, das paisagens e "daquela" sensação foi uma bolha enorme no calcanhar direito e dois ombros pra lá de inflamados. Coloquei pra dentro um antiinflamatório e fui dormir. Afinal, terça-feira tinha mais. E teve mesmo! Abraços, e ponto.
Link do voo: http://www.xcbrasil.org/leonardo/flight/40085
Caminhada pra sair da roubada: http://www.linhadechegada.com/Interno/VisTreino.aspx?pid=1&id=24771
O voo foi mais clássico; se no domingo demoramos 40 minutos para estar na base da nuvem, na segunda-feira estávamos lá em 5 minutos, e já tiramos. Deu até pra esquecer de olhar o chão, e logo que saímos já busquei a cidade em cuja direção estávamos indo. Itaguaru, 40 e poucos km. Pareceria ridículo em outro lugar, mas fez muito sentido colocar a cidade na proa e seguir em direção a ela. Não olhamos para baixo até chegar lá...
E chegamos rápido. Desta vez, o resgate estava nos acompanhando (grande Margareth, mãe do Gauchito), e já posicionei ela da próxima cidade. E fomos em tiradas muito consistentes e constantes...
Eu e o Gauchito voamos muito juntos neste voo, nos ajudando constantemente. Em Itaguaçu ficamos baixo, e ele encontrou o canhão que nos salvou. Outra hora eu estava à frente, e assim fomos. Foi uma das primeiras vezes em que realmente consegui voar em grupo, estávamos em sinergia e com muita vontade de tocar o voo. O objetivo era voar mais rápido...
Aos poucos, o dia foi passando, os kms aumentando e o voo seguindo. O voo realmente estava mais rápido, e de repente começou a se tornar inesquecível também... Estávamos embaixo de uma cloudstreet quando, em uma termal de 3m/s, entrei pra dentro da nuvem. A base dela estava a 3000, e eu estava no cantinho dela... Segui em direção ao cross, subindo a 1.5, 2m/s, até que saí ao lado... A paisagem foi de tirar o fôlego; à minha esquerda, havia outra nuvem cuja base estava uns 200m abaixo ainda... Eu estava acima das bases, observando tudo aquilo à minha volta... Foi sensacional, e bem no dia que eu esqueci a câmera...
Seguimos o voo, perdi o Gauchito de vista (ele acabou buscando algo mais ao lado e nos desgarramos) e toquei o resto do voo sozinho... Já estávamos no final do dia, e pouco mais de 80 kms voados... Com toda aquela altura, eu me dei conta que faria 100km naquele dia - o que era meu objetivo da viagem, afinal! Fiquei contente, mas continuei concentrado...
Nesta hora, alcançamos um Torck 2 vermelho que voava bastante acelerado... Voamos um pouco juntos mas ele seguir para Nazários, e eu optei por jogar no caudal e a proa seria Santa Bárbara de Goiás. Cheguei lá sozinho e com pouco mais de 95km, e pude vivenciar certamente a paisagem mais bela que já vi em toda a minha (curta) vida de voador... A cerca de 1500m do chão, eu girava uma bolhinha de 0.6m/s junto com dois urubus, que pareciam me acompanhar em câmera lenta... No horizonte, a cerca de 10km de mim, uma queimada enorme, como que de cana de açúcar, estourava até o céu e formava uma nuvem logo acima... O chão era verde em volta, e a cidade do outro lado... O sol estava a meia altura (já eram 17h), e a cena era sublime...
Curti um pouco aquele zerinho e ele acabou. Observei no GPS a próxima cidade: Campestre. 13km. E no meio um "Marlboro" sem saída... Arrisquei. Logo no começo desta tirada bati em um 0.9m/s que me deu 700m a mais de fôlego. Ali não tive mais nem dúvida, toquei direto para Campestre. E bati os 100km!
Comemorei no rádio, porque as alegrias a gente deve compartilhar com os amigos. Festejei, gritei, e segui o rumo. E caí na roubada com 109km.
Mas e daí?! Havia batido meu recorde, estava eufórico! Gritei, pulei mais um pouco, e então tratei de dobrar rapidamente meu equipamento. A preocupação agora era com a luz do dia. Eram 17h30, e eu estava a 3km de Campestre.
Em 15 minutos estava tudo guardado, e comecei a caminhar. Mas é claro que não existem estradas retas, e a caminhada rendeu exatos 6km (1 hora) até o asfalto. Cheguei exausto, acabado, e de noite. No fim da caminhada, eu já não enxergava nada. Filmei um pouco disso e postarei aqui quando editar...
Cheguei ali e contatei o pessoal. Eles ainda estavam buscando o Raffa, que tinha tomado outro rumo (pousou com 105km, acho) e só depois iriam me buscar. E o asfalto era escuro...
E não é que eu tenha medo de escuro, mas ficar no breu, na beira da estrada, e com um mato se mexendo quando era iluminado, não é exatamente a melhor sensação que já experimentei. Com 20 minutos de espera, joguei a mochila nas costas e resolvi caminhar mais 3 quilômetros e pouco até a cidade. Usei o celular como lanterna para iluminar meu caminho, e fui marchando...
Aí sim cheguei acabado. Parecia bêbado. As pernas não andavam mais retas. Avistei um bar na entrada (Stop Bar), fechado. Andei mais duas quadras e havia uma pamonharia e pastelaria. Estava aberta... Dei graças. Cheguei e sentei-me sob olhares assustados do pessoal que comia por ali. Pedi dois sucos e dois pastéis, que me custaram R$8. Os 8 reais mais bem gastos da viagem até então!
E ali esperei até 20h30, quando chegou o Gauchito, a Margareth, o Irani e o Raffa para me resgatar. Neste dia, chegamos à Jaraguá às 23h30, e eu estava acabado. O saldo do dia, além do recorde, das paisagens e "daquela" sensação foi uma bolha enorme no calcanhar direito e dois ombros pra lá de inflamados. Coloquei pra dentro um antiinflamatório e fui dormir. Afinal, terça-feira tinha mais. E teve mesmo! Abraços, e ponto.
Link do voo: http://www.xcbrasil.org/leonardo/flight/40085
Caminhada pra sair da roubada: http://www.linhadechegada.com/Interno/VisTreino.aspx?pid=1&id=24771
quarta-feira, 20 de julho de 2011
XCerrado - O paraíso do voo livre
Se nem as peripécias da viagem serviram para baixar o meu bom humor, então chegar em Jaraguá e rever os amigos foi o que precisava para elevá-lo ao máximo. Estamos no melhor hotel da cidade, e aqui está tudo muito bom. Meu colega de quarto, o Raffa, já estava por aqui quando cheguei. Tomei um banho e fomos à praça central comer algo e "olhar em volta".
A cidade é muito simpática, e lembra Araxá em alguns pontos - como as ruas, com árvores plantadas entre as duas pistas. Encontramos uma pizzaria e lá ficamos...
Nisso o Julinho, que já estava há uma semana na cidade, chegou. Ele carregava uma bolsa de couro de laptop, e já chegou falando "cara, tenho tudo planejado". E abriu a bolsa. Primeiro saiu um mapa com algumas rotas traçadas, e a previsão do tempo do CPTEC impressa... Depois, um laptop com modem 3G. E, por fim, um caderninho de anotações recheado de nomes de cidades, direções... Ele realmente tinha tudo planejado! E aquilo nos contagiou de forma que ficamos ambos ansiosos com o dia seguinte.
Ouvimos as histórias e a coisa só piorava... O Julinho conseguiu nos pilhar pra valer! rs... Pra nossa sorte, a pilha deu certo e o dia seguinte foi um dia fantástico.
Na verdade, o primeiro dia de voo foi um pouco perdido. Cada um ia para um lado, seguindo uma rota diferente, depois voltava... Enfim, parecia que estávamos todos eufóricos e ainda incrédulos com aquela condição. Neste dia, mesmo com a confusão, fomos muito longe. Eu, que tinha o menor recorde entre os amigos, consegui bater com os 88km voados. Os outros não bateram seus recordes (mas alguns voaram mais do que eu), mas todos ficamos extremamente satisfeitos com o lugar!
Neste dia, consegui uma carona no meio de Trindade (cidade onde pousei) e o Divino (pausa para propaganda: quem precisar de Blindex em Goiânia, eduvidros4@hotmail.com ou 62 3287-7458) me levou até o Portal ParkShopping, em Goiás mesmo. No caminho, fiquei sabendo de muitas coisas boas e ruins da cidade, e lá me deixaram. Um casal muito simpático, e o filhão Eduardo, de 7 anos...
O primeiro dia não foi exatamente uma aventura; foi um dia normal de voo. Mas foi uma boa introdução... As roubadas começaram no segundo dia! Mas esta é outra história! Abraços, e ponto ponto ponto.
A cidade é muito simpática, e lembra Araxá em alguns pontos - como as ruas, com árvores plantadas entre as duas pistas. Encontramos uma pizzaria e lá ficamos...
Nisso o Julinho, que já estava há uma semana na cidade, chegou. Ele carregava uma bolsa de couro de laptop, e já chegou falando "cara, tenho tudo planejado". E abriu a bolsa. Primeiro saiu um mapa com algumas rotas traçadas, e a previsão do tempo do CPTEC impressa... Depois, um laptop com modem 3G. E, por fim, um caderninho de anotações recheado de nomes de cidades, direções... Ele realmente tinha tudo planejado! E aquilo nos contagiou de forma que ficamos ambos ansiosos com o dia seguinte.
Ouvimos as histórias e a coisa só piorava... O Julinho conseguiu nos pilhar pra valer! rs... Pra nossa sorte, a pilha deu certo e o dia seguinte foi um dia fantástico.
Na verdade, o primeiro dia de voo foi um pouco perdido. Cada um ia para um lado, seguindo uma rota diferente, depois voltava... Enfim, parecia que estávamos todos eufóricos e ainda incrédulos com aquela condição. Neste dia, mesmo com a confusão, fomos muito longe. Eu, que tinha o menor recorde entre os amigos, consegui bater com os 88km voados. Os outros não bateram seus recordes (mas alguns voaram mais do que eu), mas todos ficamos extremamente satisfeitos com o lugar!
Neste dia, consegui uma carona no meio de Trindade (cidade onde pousei) e o Divino (pausa para propaganda: quem precisar de Blindex em Goiânia, eduvidros4@hotmail.com ou 62 3287-7458) me levou até o Portal ParkShopping, em Goiás mesmo. No caminho, fiquei sabendo de muitas coisas boas e ruins da cidade, e lá me deixaram. Um casal muito simpático, e o filhão Eduardo, de 7 anos...
O primeiro dia não foi exatamente uma aventura; foi um dia normal de voo. Mas foi uma boa introdução... As roubadas começaram no segundo dia! Mas esta é outra história! Abraços, e ponto ponto ponto.
XCerrado - Ah, estes brasileiros...
A viagem de ônibus não foi uma roubada menor. Pra começar que o ônibus atrasou - claro. Mas o que impressionou mesmo foi que ninguém aqui sabe o que é fila. Sabe fila, ou pelo menos "esperar a sua vez"? Aqui não tem disso não. Eu fui um dos primeiros a me posicionar para embarcar, e um dos últimos a fazê-lo!
A ordem de atendimento aqui é mais ou menos assim: imagine o rapaz que guarda as malas esperando em frente ao bagageiro. Agora imagine que forma um aglomerado de pessoas ao redor dele... Se você deixa um espaço entre você e o "cara da sua frente", entra um outro cara. E ele nem pergunta, nem te olha, nem nada. E o pior: o cara é endossado pelo atendente, que atende o cara antes.
E não foi só assim no ônibus. Foi assim em todos os lugares que paramos. Ah, é... Sabe o ônibus que peguei às 14h30? Ele atrasou 15 minutos, e era pinga-pinga. Parou em três cidades (pitorescas), e em sete lugares aleatórios no caminho. O resultado da roubada? Cheguei em Jaraguá por volta das 19h. Isso mesmo, de Brasília a Jaraguá em tempo recorde!! :- )
Daí, cheguei em Jaraguá. Ufa, finalmente! Como estava podre, resolvi pegar um taxi para ir até o hotel. Pareceu piada: o taxi andou exatamente duas quadras e parou. E sabe quanto paguei por isso? R$12. Isso mesmo. "Taxa mínima, senhor". Depois fui descobrir o que já sabia: taxi, aqui, pra qualquer lugar dentro da cidade, varia de R$5 a R$8. Brasileiro é uma bosta mesmo, parecemos fazer questão de fazer jus à imagem que passamos ao mundo... Abraços, e ponto.
A ordem de atendimento aqui é mais ou menos assim: imagine o rapaz que guarda as malas esperando em frente ao bagageiro. Agora imagine que forma um aglomerado de pessoas ao redor dele... Se você deixa um espaço entre você e o "cara da sua frente", entra um outro cara. E ele nem pergunta, nem te olha, nem nada. E o pior: o cara é endossado pelo atendente, que atende o cara antes.
E não foi só assim no ônibus. Foi assim em todos os lugares que paramos. Ah, é... Sabe o ônibus que peguei às 14h30? Ele atrasou 15 minutos, e era pinga-pinga. Parou em três cidades (pitorescas), e em sete lugares aleatórios no caminho. O resultado da roubada? Cheguei em Jaraguá por volta das 19h. Isso mesmo, de Brasília a Jaraguá em tempo recorde!! :- )
Daí, cheguei em Jaraguá. Ufa, finalmente! Como estava podre, resolvi pegar um taxi para ir até o hotel. Pareceu piada: o taxi andou exatamente duas quadras e parou. E sabe quanto paguei por isso? R$12. Isso mesmo. "Taxa mínima, senhor". Depois fui descobrir o que já sabia: taxi, aqui, pra qualquer lugar dentro da cidade, varia de R$5 a R$8. Brasileiro é uma bosta mesmo, parecemos fazer questão de fazer jus à imagem que passamos ao mundo... Abraços, e ponto.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
XCerrado - O óculos e a rodoviária
Rodoviária de Brasília, 16 de julho de 2011. 12h30.
Eu disse que a odisséia se iniciava? Bem, eu não tinha nem ideia do que eu enfrentaria. Esta, até agora, foi a viagem mais tragicômica que já fiz - e olha que nunca nos faltaram roubadas em se tratando de voo livre!
Logo depois de escrever aquele pequeno post anterior, desliguei o computador e me pus a observar tudo em volta. Eis que, lá ao longe, avistei três felizardos pilotos na mesma condição que eu - a da espera em Brasília. Avistei eles almoçando, mas quando era 12h eles levantaram e foram em direção ao embarque! Eu estava longe, não consegui questioná-los sobre o ônibus que eles estariam pegando, mas tinha certeza que estavam indo a Jaraguá. Precisava fazer algo!
Juntei todas as minhas coisas e tratei de ir ao setor de compra de passagens para ver se alguma outra empresa faria aquele trecho. E aí começou a história...
Quando cheguei no setor de compra de passagens, percebi que minha calça estava um pouco solta, querendo cair. Imagina eu, no meio da rodoviária, com uma mochila de parapente (que chama "pouca" atenção), uma mala de roupas em uma mão, um laptop e o porta-instrumentos do parapente na outra, e sem calça? Não dava pra deixar isso acontecer. Tratei de ir ao banheiro rapidamente - e rapidamente mesmo, pois a qualquer hora aquele pessoa iria partir e eu iria perder a chance de adiantar duas horas e meia de viagem!
Entrei no banheiro, deixei tudo no chão e meu óculos em cima dos mictórios. Prendi novamente a calça, peguei minha bagagem e saí correndo para as passagens. Tinha fila. Enfrentei a fila e, ao chegar no guichê, ele me confirmou que só tinha mesmo aquele ônibus que eu havia comprado as passagens... Meio sem entender a situação, saí da fila e me dei conta: cadê meu óculos de sol?
Corri para o banheiro (35kg de bagagem, correndo no meio da rodoviária; pensa...) mas é claro que já não estava mais lá. Presepada...
Como era o primeiro dia de viagem e eu não queria perder o bom humor, não tive muita escolha... Deixei as bagagens no porta-volumes e caminhei uns 5 minutos até o ParkShopping que fica logo ao lado do lugar. Comprei um óculos novo e voltei.
30 minutos depois, eu sentei de volta na rodoviária, exatamente na mesma situação: quatro malas, um óculos e 2 horas de espera. O mesmo ônibus, a mesma bagagem, e R$150 a menos no bolso. Moral da história? Fica inventando moda, fica rs... Abraços, e ponto.
Eu disse que a odisséia se iniciava? Bem, eu não tinha nem ideia do que eu enfrentaria. Esta, até agora, foi a viagem mais tragicômica que já fiz - e olha que nunca nos faltaram roubadas em se tratando de voo livre!
Logo depois de escrever aquele pequeno post anterior, desliguei o computador e me pus a observar tudo em volta. Eis que, lá ao longe, avistei três felizardos pilotos na mesma condição que eu - a da espera em Brasília. Avistei eles almoçando, mas quando era 12h eles levantaram e foram em direção ao embarque! Eu estava longe, não consegui questioná-los sobre o ônibus que eles estariam pegando, mas tinha certeza que estavam indo a Jaraguá. Precisava fazer algo!
Juntei todas as minhas coisas e tratei de ir ao setor de compra de passagens para ver se alguma outra empresa faria aquele trecho. E aí começou a história...
Quando cheguei no setor de compra de passagens, percebi que minha calça estava um pouco solta, querendo cair. Imagina eu, no meio da rodoviária, com uma mochila de parapente (que chama "pouca" atenção), uma mala de roupas em uma mão, um laptop e o porta-instrumentos do parapente na outra, e sem calça? Não dava pra deixar isso acontecer. Tratei de ir ao banheiro rapidamente - e rapidamente mesmo, pois a qualquer hora aquele pessoa iria partir e eu iria perder a chance de adiantar duas horas e meia de viagem!
Entrei no banheiro, deixei tudo no chão e meu óculos em cima dos mictórios. Prendi novamente a calça, peguei minha bagagem e saí correndo para as passagens. Tinha fila. Enfrentei a fila e, ao chegar no guichê, ele me confirmou que só tinha mesmo aquele ônibus que eu havia comprado as passagens... Meio sem entender a situação, saí da fila e me dei conta: cadê meu óculos de sol?
Corri para o banheiro (35kg de bagagem, correndo no meio da rodoviária; pensa...) mas é claro que já não estava mais lá. Presepada...
Como era o primeiro dia de viagem e eu não queria perder o bom humor, não tive muita escolha... Deixei as bagagens no porta-volumes e caminhei uns 5 minutos até o ParkShopping que fica logo ao lado do lugar. Comprei um óculos novo e voltei.
30 minutos depois, eu sentei de volta na rodoviária, exatamente na mesma situação: quatro malas, um óculos e 2 horas de espera. O mesmo ônibus, a mesma bagagem, e R$150 a menos no bolso. Moral da história? Fica inventando moda, fica rs... Abraços, e ponto.
XCerrado - o começo da odisséia
Rodoviária de Brasília, 16 de julho de 2011. 11h.
Eram 5h20 quando o relógio despertou, e 5h40 quando eu levantei, atrasado. O check-in da TAM conseguiu ser congestionado já às 6h30 da manhã, quando meu pai, que certamente acordou mais cedo pois às 6h já estava na porta da minha casa, me deixou no aeroporto. Mas tudo bem, estava sem pressa.
A intenção de vir tão cedo à Brasília era de não ter problemas com os ônibus posteriormente. Na verdade, o destino desta viagem é Jaraguá, que fica a 110km daqui. E é lógico que o sistema viário é uma beleza neste país... Por isso, achei por bem vir bem cedo e, se fosse preciso, aguardaria na rodoviária durante o sábado!
Conforme planejado, pois, estou cá eu, agora, no que eles chamam com aquele sotaque preguiçoso de “Rodoviária Nova”. De fato, é nova. Uma construção bastante moderna, espaçosa, ampla e bem arejada – o que parece ser essencial nesta terra. Faz 30ºC lá fora – isso porque é inverno!
Vindo do aeroporto até aqui já deu pra notar uma diferença incrível na paisagem. O cenário é árido, seco e marrom. Não sei o que ocorre com as roupas brancas aqui, mas imagino que a venda de alvejantes aqui seja muito alta! Ou a grama está morta, ou tem um caminhão pipa regando ela.
O plano de hoje não é conhecer Brasília; aqui fico até as 14h30, e não quero arriscar perder este ônibus – o próximo seria somente às 17h! Mas bem atrás de onde estou sentado há um painel enorme com uma panorâmica da cidade. É, a foto eu poderia ter visto pela internet. Mas ver dentro do próprio local te faz se sentir, de alguma forma, mais próximo. Já vi a ponte do Lenine, e o planalto do Capitão Nascimento. E agora passarei algumas horas vendo muita gente ir e vir... Abraços, e ponto.
Eram 5h20 quando o relógio despertou, e 5h40 quando eu levantei, atrasado. O check-in da TAM conseguiu ser congestionado já às 6h30 da manhã, quando meu pai, que certamente acordou mais cedo pois às 6h já estava na porta da minha casa, me deixou no aeroporto. Mas tudo bem, estava sem pressa.
A intenção de vir tão cedo à Brasília era de não ter problemas com os ônibus posteriormente. Na verdade, o destino desta viagem é Jaraguá, que fica a 110km daqui. E é lógico que o sistema viário é uma beleza neste país... Por isso, achei por bem vir bem cedo e, se fosse preciso, aguardaria na rodoviária durante o sábado!
Conforme planejado, pois, estou cá eu, agora, no que eles chamam com aquele sotaque preguiçoso de “Rodoviária Nova”. De fato, é nova. Uma construção bastante moderna, espaçosa, ampla e bem arejada – o que parece ser essencial nesta terra. Faz 30ºC lá fora – isso porque é inverno!
Vindo do aeroporto até aqui já deu pra notar uma diferença incrível na paisagem. O cenário é árido, seco e marrom. Não sei o que ocorre com as roupas brancas aqui, mas imagino que a venda de alvejantes aqui seja muito alta! Ou a grama está morta, ou tem um caminhão pipa regando ela.
O plano de hoje não é conhecer Brasília; aqui fico até as 14h30, e não quero arriscar perder este ônibus – o próximo seria somente às 17h! Mas bem atrás de onde estou sentado há um painel enorme com uma panorâmica da cidade. É, a foto eu poderia ter visto pela internet. Mas ver dentro do próprio local te faz se sentir, de alguma forma, mais próximo. Já vi a ponte do Lenine, e o planalto do Capitão Nascimento. E agora passarei algumas horas vendo muita gente ir e vir... Abraços, e ponto.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Que tal uma atualização?
Saúde e sorte não têm me seguido simultaneamente, devo assumir. Ora estou com saúde, ora com sorte. Mas bem, entre trancos e barrancos a vida evolui, segue, e cá estou seguindo ela. Desta vez, um novo destino, uma nova aventura, que tentarei postar por aqui, sempre que possível, como ela está.
O destino é Jaraguá/GO, pertinho de Brasília. A intenção é voar, e voar muito longe! Estou indo para o XCerrado, um evento que está se tornando o principal evento de cross livre do país. Para quem não sabe, cross livre significa decolar de parapente, subir até a base da nuvem e ir embora até onde conseguir (a grosso modo).
Estou ansioso, e a expectativa da viagem é grande. Meu voo parte amanhã às 7h30, mas do jeito que estou não vou nem precisar acordar às 5h30; dormir é que está difícil...
E é isso. Um vídeo pra animar? Ok, um vídeo pra animar! E saudemos a nostalgia... Este vídeo foi a primeira tentativa de cross que fiz, que resultou em nada ruins 40km em Tangará/SC. Se houverem crianças na sala, sugiro que desliguem o som. Eu estava, como dizer... extasiado! Um abraço, e ponto.
Tá, mais um vídeo pra ser feliz (e com menos palavrões)!
O destino é Jaraguá/GO, pertinho de Brasília. A intenção é voar, e voar muito longe! Estou indo para o XCerrado, um evento que está se tornando o principal evento de cross livre do país. Para quem não sabe, cross livre significa decolar de parapente, subir até a base da nuvem e ir embora até onde conseguir (a grosso modo).
Estou ansioso, e a expectativa da viagem é grande. Meu voo parte amanhã às 7h30, mas do jeito que estou não vou nem precisar acordar às 5h30; dormir é que está difícil...
E é isso. Um vídeo pra animar? Ok, um vídeo pra animar! E saudemos a nostalgia... Este vídeo foi a primeira tentativa de cross que fiz, que resultou em nada ruins 40km em Tangará/SC. Se houverem crianças na sala, sugiro que desliguem o som. Eu estava, como dizer... extasiado! Um abraço, e ponto.
Tá, mais um vídeo pra ser feliz (e com menos palavrões)!
terça-feira, 8 de março de 2011
Geladeira, tão importante quanto sabonete!
Se eu pudesse dar um presente ímpar, sublime, de valor inestimável, a algum inventor, com certeza seria da mente fértil que inventou a tal da geladeira. É claro, estou desconsiderando aqui valores sentimentais como a vida, a educação e o amor, e considerando só a coisa prática mesmo: viver sem geladeira é o caos.
E você não nota isso até que você fique sem - como tudo na vida. No mercado, por exemplo, aquelas sobremesas prontas vêm de duas em duas. Isso significa que você, que mora sozinho, vai comer uma e colocar a outra na... geladeira!
E que tal o leite do café da manhã? Você coloca um pouco na caneca e... geladeira!
Manteiga? Geladeira!
Suco? Leite de soja? Fruta? Geladeira!
Torta? Tá, você entendeu!
Estou há uma semana morando sozinho, e nunca havia sentido tanta falta de uma geladeira. E de outras coisas, na verdade... sem fogão, por exemplo, não dá pra cozinhar nada. Ou seja, estou há uma semana comendo em restaurantes ou improvisando algo por aqui.
Improvisando, por exemplo, o café. O de amanhã, inclusive, já está preparado e programado na minha cafeteira geek. Mas não tem leite: é leite condensado, uma "gambiarra" que fazemos nos acampamentos para tomar algo próximo de café com leite nas manhãs geladas da cordilheira...
Sabe o sabonete líquido de cima da pia? Ele também não vem sozinho! Tem que comprar no mercado... Tal como pratos. Aliás, estes eu ainda não tenho. Segundo a Taís, é mais interessante comprar um jogo de jantar inteiro do que tudo separado. Estou procurando um jogo de jantar branco - achou que era fácil, né?! (Eu achava!)
E é isso. As coisas aos poucos estão se ajeitando, e minha casa começa a ficar com cara de casa - e não acampamento. Apesar de que, se depender da cadeira onde estou sentado agora - aquelas de armar no camping - essa impressão ainda vai levar algum tempo pra passar! Abraços, e ponto.
E você não nota isso até que você fique sem - como tudo na vida. No mercado, por exemplo, aquelas sobremesas prontas vêm de duas em duas. Isso significa que você, que mora sozinho, vai comer uma e colocar a outra na... geladeira!
E que tal o leite do café da manhã? Você coloca um pouco na caneca e... geladeira!
Manteiga? Geladeira!
Suco? Leite de soja? Fruta? Geladeira!
Torta? Tá, você entendeu!
Estou há uma semana morando sozinho, e nunca havia sentido tanta falta de uma geladeira. E de outras coisas, na verdade... sem fogão, por exemplo, não dá pra cozinhar nada. Ou seja, estou há uma semana comendo em restaurantes ou improvisando algo por aqui.
Improvisando, por exemplo, o café. O de amanhã, inclusive, já está preparado e programado na minha cafeteira geek. Mas não tem leite: é leite condensado, uma "gambiarra" que fazemos nos acampamentos para tomar algo próximo de café com leite nas manhãs geladas da cordilheira...
Sabe o sabonete líquido de cima da pia? Ele também não vem sozinho! Tem que comprar no mercado... Tal como pratos. Aliás, estes eu ainda não tenho. Segundo a Taís, é mais interessante comprar um jogo de jantar inteiro do que tudo separado. Estou procurando um jogo de jantar branco - achou que era fácil, né?! (Eu achava!)
E é isso. As coisas aos poucos estão se ajeitando, e minha casa começa a ficar com cara de casa - e não acampamento. Apesar de que, se depender da cadeira onde estou sentado agora - aquelas de armar no camping - essa impressão ainda vai levar algum tempo pra passar! Abraços, e ponto.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
As notícias!
Perguntaram-me, e algumas vezes, se eu havia parado de escrever. A pergunta faz sentido, já que acompanho diariamente a morte, lenta e sufocada, deste blog de poucos leitores. Mas a resposta, creio, seja o oposto do que parece...
Criei este blog quando este binômio estava em alta junto com a minha solidão. Em um momento no qual precisava descarregar minhas energias e ideias em um canto que fosse pessoal o suficiente, mas que ao mesmo tempo pudesse receber os amigos - e os inimigos, que afinal são também importantes -, criei o espaço. Para o nome, pensei em duas coisas que fossem essenciais para a vida. E quê, afinal, pode ser mais essencial do que termos saúde e sorte, não é mesmo?!
Entendo que outras coisas são importantes. Valorizo a família, o amor, a comida (não dá pra viver de luz, certo?!) e tantas outras coisas. Mas ninguém me convence que consegue ser feliz sem saúde, ou com excesso de azar. Você pode nunca ter ganhado nenhum sorteio no Twitter, mas se você topa o dedo toda vez que sobe uma escada usando Havaianas não tem jeito de você ser feliz (desculpe-me!).
Então, quando fizemos um pedal fantástico, indo por 130km de estradas precárias e montanhosas até Castro, achei que era o momento de voltar a escrever. E criei este espaço, ao qual dediquei tempo suficiente para me sentir bem. Creio ter inspirado alguns amigos, e receio ter feito deprimidos outros cujos vícios reprimiam a saúde e espantavam a sorte. Lamento por estes, e sempre lamentarei. Não tenho preconceitos com vícios, tenho conceitos formados e não mudo minha opinião: abomino todos os maléficos mesmo, e deixo isso bem claro aos meus amigos.
Aconteceu que, depois da Maratona de Curitiba, na qual já corri machucado, eu passei por três meses de "falta de saúde". Parei de correr e quase parei de andar por conta da lesão na perna esquerda, e minha vontade de escrever esvaiu-se com minha proibição aos exercícios físicos. Trabalhei como há tempos não trabalhava, e somente agora, na metade de fevereiro retomei os treinos.
Paralelo a isso, vieram algumas decepções - de amigos, principalmente. De amores mantive distância, apenas abri meu coração em Dezembro - e aberto à ela ele permanece. Mas passei por decepções que me fizeram repensar sobre tudo ao meu redor.
Receio que amizades possam te ferir mais do que amores. Porque amores são intensos, dominadores, mas no fundo, bem no fundo, sabemos que eles podem terminar. Amizades, por vezes, acreditamos ser pra sempre. Por mais que nunca mais tenhamos visto nossos "melhores amigos" da infância, creio que pensemos que "no mundo adulto" é diferente. Não é - é pior.
Por fim, afastado da maioria das pessoas e sem a endorfina das corridas, por hora não faria sentido escrever neste espaço - que sempre fora tão recheado de boas energias. Acho que os dois ou três leitores que acompanhavam assiduamente este blog tinham um propósito ao lê-lo: buscar energias. E isso não seria possível nos meses.
A boa notícia é que isso mudou! As energias voltaram agora, com treinos, amor e outros detalhes complementares. A má notícia é que, talvez, este blog morra mesmo. Afinal, uma vida que tenha muita saúde e muita sorte... Bem, talvez esta vida não caiba no mundo virtual, certo?! Talvez, ela seja mesmo pra ser vivida no mundo real! Mas... quem sabe. Parafraseando aquele povo doido da Bandnews, em 20 minutos tudo pode mudar! : ) Forte abraço, e ponto!
Criei este blog quando este binômio estava em alta junto com a minha solidão. Em um momento no qual precisava descarregar minhas energias e ideias em um canto que fosse pessoal o suficiente, mas que ao mesmo tempo pudesse receber os amigos - e os inimigos, que afinal são também importantes -, criei o espaço. Para o nome, pensei em duas coisas que fossem essenciais para a vida. E quê, afinal, pode ser mais essencial do que termos saúde e sorte, não é mesmo?!
Entendo que outras coisas são importantes. Valorizo a família, o amor, a comida (não dá pra viver de luz, certo?!) e tantas outras coisas. Mas ninguém me convence que consegue ser feliz sem saúde, ou com excesso de azar. Você pode nunca ter ganhado nenhum sorteio no Twitter, mas se você topa o dedo toda vez que sobe uma escada usando Havaianas não tem jeito de você ser feliz (desculpe-me!).
Então, quando fizemos um pedal fantástico, indo por 130km de estradas precárias e montanhosas até Castro, achei que era o momento de voltar a escrever. E criei este espaço, ao qual dediquei tempo suficiente para me sentir bem. Creio ter inspirado alguns amigos, e receio ter feito deprimidos outros cujos vícios reprimiam a saúde e espantavam a sorte. Lamento por estes, e sempre lamentarei. Não tenho preconceitos com vícios, tenho conceitos formados e não mudo minha opinião: abomino todos os maléficos mesmo, e deixo isso bem claro aos meus amigos.
Aconteceu que, depois da Maratona de Curitiba, na qual já corri machucado, eu passei por três meses de "falta de saúde". Parei de correr e quase parei de andar por conta da lesão na perna esquerda, e minha vontade de escrever esvaiu-se com minha proibição aos exercícios físicos. Trabalhei como há tempos não trabalhava, e somente agora, na metade de fevereiro retomei os treinos.
Paralelo a isso, vieram algumas decepções - de amigos, principalmente. De amores mantive distância, apenas abri meu coração em Dezembro - e aberto à ela ele permanece. Mas passei por decepções que me fizeram repensar sobre tudo ao meu redor.
Receio que amizades possam te ferir mais do que amores. Porque amores são intensos, dominadores, mas no fundo, bem no fundo, sabemos que eles podem terminar. Amizades, por vezes, acreditamos ser pra sempre. Por mais que nunca mais tenhamos visto nossos "melhores amigos" da infância, creio que pensemos que "no mundo adulto" é diferente. Não é - é pior.
Por fim, afastado da maioria das pessoas e sem a endorfina das corridas, por hora não faria sentido escrever neste espaço - que sempre fora tão recheado de boas energias. Acho que os dois ou três leitores que acompanhavam assiduamente este blog tinham um propósito ao lê-lo: buscar energias. E isso não seria possível nos meses.
A boa notícia é que isso mudou! As energias voltaram agora, com treinos, amor e outros detalhes complementares. A má notícia é que, talvez, este blog morra mesmo. Afinal, uma vida que tenha muita saúde e muita sorte... Bem, talvez esta vida não caiba no mundo virtual, certo?! Talvez, ela seja mesmo pra ser vivida no mundo real! Mas... quem sabe. Parafraseando aquele povo doido da Bandnews, em 20 minutos tudo pode mudar! : ) Forte abraço, e ponto!
domingo, 21 de novembro de 2010
E foi-se a Maratona de Curitiba!
Eram 5 horas da manhã quando o relógio despertou. Apesar da ansiedade extrema desde dias antes, um pouco de música calma e um bom banho fizeram-me relaxar antes da noite. Dormi muito bem, e acordei ainda melhor.
A canelite na perna esquerda sumira, pelo menos para caminhar. Às 5h50 minha mochila estava pronta, e eu estava de café tomado e vestido de "maratonista". O dia chegara, o dia finalmente chegara. Eu não cabia em mim de tanto ânimo.
Cheguei lá a tempo de ver as meninas passarem por nós, pontualmente às 6h30. Gritei para a Nádia e a Tânia, doando-as um pouco de energia extra - apesar de considerar que elas não precisariam (pensa em duas corredores muito fortes!!).
E então fui para a tenda da V8, para o aquecimento e alongamento. No aquecimento, a cada passo eu sentia uma pontada na canela. Racionalmente, eu não devia estar lá. Mas convença alguém que, por 3 meses, mastigou o desejo de viver aquilo; que abriu mão de voos, de saídas, de festas, por conta do "longão do dia seguinte". Nas quartas-feiras, eu acordava às 6h para ir ao parque treinar. Eu acordo às 8h normalmente, mas acordava às 6h para seguir a planilha. A ideia de desistir por conta de uma inflamação na perna que resolveu aparecer 10 dias antes da prova sequer passou pela minha cabeça.
O problema é que eu fiquei 10 dias sem treinar, e estes 10 dias saíram caro. Ganhei algum peso neste meio tempo, e perdi um pouco do ritmo. Para compensar isso, segurei o ritmo em 5:15/5:20. Não ajudou muito. Já na largada eu me sentia pesado e cansado. E a canela não queria ajudar.
O Tiago, que também treina na V8, iria fazer 21k para este ritmo, e seguimos juntos por um bom trajeto. Foi uma companhia muito bacana, demos algumas risadas no caminho e nos desgarramos no km 13. Apesar de ele ser mais forte do que eu, não estava num dia bom e baixou o ritmo ali.
E foi neste momento que eu prestei atenção na minha perna esquerda. A verdade é que eu não fazia um movimento de "corrida" com ela. Ela havia endurecido e era um bloco só correndo, como que não tivesse joelho. O corpo é mesmo incrível: para evitar a dor, ele simplesmente mudou a minha mecânica. Mas é claro que o preço disso não é baixo, e eu já sabia disso quando optei por correr mesmo com a inflamação.
Chegamos ao Pinheirinho com 19 ou 20 km, e eu caminhei um pouco. Mas não por quebrar. Eu não conseguia baixar meu batimento cardíaco, e isso somado à perna "manca" me alertou: eu devia controlar muito bem a situação agora!
Aqui, eu pensei em desistir, parar, aguardar o Tiago e voltar de carro junto com ele. Então lembrei do nosso longão em que eu quebrei, e me toquei que 42km "não era tão mais longe" do que eu já havia ido. Eu tinha que continuar. E não hesitei em volar a correr.
Mesmo caminhando eventualmente, meu ritmo não ficou ruim. As sonhadas 3:30 já tinham ido por água abaixo tempos antes. Então, agora, a meta ficou em volta das 4h. E no 30 eu estava com 2:56, mesmo tendo caminhado relativamente muito. Estava bom!
E daí pra frente foi que eu abri mão. Guardava energia nas subidas, e corria sempre que me permitia. Na verdade, eu tinha mais perna do que parecia, mas considerava isso bom. Até o 37 não senti quebrar realmente, eu estava somente controlando a energia. Caminhava muito, é fato, mas talvez por inexperiência e medo.
Do km 38 pra frente, a maratona começou de verdade pra mim. Eu esqueci de tomar gel, usava três copos d'água a cada posto e cheguei a jogar isotônico com água na cara para refrescar. O sol pegou, e a energia já se tinha ido. Ali, era a garra, o coração, e usar a energia que todos os meus amigos haviam me enviado.
Mesmo caminhando eu dosava o ritmo. Nunca abaixo de 10min/km caminhando, e correndo eu não me preocupava com nada. Parava ao primeiro sinal de câimbra, este era o meu dosador.
Assim que virei na Cândido de Abreu e vi, lá longe, a chegada, senti um sopro no corpo todo. Uma dose altíssima de adrenalina fora injetada, incrível. Liguei o iPod e comecei a correr, decidido a correr o último km inteiro. Não consegui. Quase chegando no km 42, quebrei novamente.
Mas a visão logo se refrescou. Meus pais e a Isa estavam lá. Me viram, levantaram os braços, e gritaram "VAI"! Eu fui. E fui sem dó.
Quando voltei a correr, não tinha mais energia - sequer para fazer os 195m que, nesta hora, parecem 3km. Então comecei a gritar, sacudir os braços e pedir que as pessoas que assistiam gritassem também. Literalmente levantando os que assistiam ali. E acho que consegui. Não tenho certeza, porque daquela hora não tenho mais certeza de nada. Eu sei que eu senti as pessoas gritando junto, e isso funcionou. Como uma onda mesmo, eu fui passando, gritando, levantando os braços, e todos me deram a energia que faltava.
Cruzei a linha de chegada aos berros. E fui ao abraço dos meus pais, amigos, treinadores e todo o resto.
Muitos maratonistas dizem que a maratona começa no km 30 - antes disso é só administrar. Mentira. A maratona começa 4 meses antes, quando você coloca isso como seu objetivo e começa a treinar para ele. Os longos, os tiros, as lesões, as dores, os novos amigos, as ausências com os velhos amigos...
Quem não é maratonista jamais entenderá o que se passa, jamais compreenderá o quanto importante é cada "boa sorte", cada "VAI", cada palma que recebemos antes e durante o percurso. E eu não os culpo.
Aliás, pelo conrário. Talvez, eu deva um pedido de desculpas geral a todos os que me acompanharam neste trecho. E, mais que desculpas, um MUITO OBRIGADO. Aos amigos (principalmente do voo), à família, aos amigos próximos e aos nem tão próximos assim, meu mais sincero muito obrigado. Obrigado por entenderem, e aturarem, esta meta que coloquei para mim de terminar esta maratona. Tenho certeza que compensarei, aos poucos e do meu jeito, cada ausência, cada recusa de convites, cada decisão aparentemente antissocial que tomei nos últimos meses. Obrigado também ao Vitor e à V8, cujo apoio e assessoria foram essenciais para tornar esta meta factível!
Também, preciso agradecer ao Tiago, aquele que correu o começo comigo. Ele não sabe ainda, mas ele é que foi responsável por manter minha cabeça inteira. Numa conversa descompromissada no Barigui, ele virou pra mim e disse "ah, cara, eu não acho que quem caminhe tá errado; é melhor caminhar do que se matar!". Isso foi há umas 3 semanas, e trabalhei muito isso na minha cabeça - principalmente quando percebi que correria lesionado. Foi, com certeza, curtir esta maratona independentemente de ter caminhado!
E é fato sim que eu fiz bem acima da minha meta. É fato que eu caminhei. E é fato que eu apanhei desta prova. Mas a maratona é uma prova pessoal, não é para os outros. Com a medalha em mãos, eu posso fazer dela a memória que eu quiser - sem medo de exceder o egoísmo. E, com todo egoísmo que me cabe, eu encho o peito pra dizer: EU SOU MARATONISTA. E ninguém me convence do contrário. A partir de hoje, o meu nome vem acompanhado de um número. 42.195. Esse é meu número. ponto.
A canelite na perna esquerda sumira, pelo menos para caminhar. Às 5h50 minha mochila estava pronta, e eu estava de café tomado e vestido de "maratonista". O dia chegara, o dia finalmente chegara. Eu não cabia em mim de tanto ânimo.
Cheguei lá a tempo de ver as meninas passarem por nós, pontualmente às 6h30. Gritei para a Nádia e a Tânia, doando-as um pouco de energia extra - apesar de considerar que elas não precisariam (pensa em duas corredores muito fortes!!).
E então fui para a tenda da V8, para o aquecimento e alongamento. No aquecimento, a cada passo eu sentia uma pontada na canela. Racionalmente, eu não devia estar lá. Mas convença alguém que, por 3 meses, mastigou o desejo de viver aquilo; que abriu mão de voos, de saídas, de festas, por conta do "longão do dia seguinte". Nas quartas-feiras, eu acordava às 6h para ir ao parque treinar. Eu acordo às 8h normalmente, mas acordava às 6h para seguir a planilha. A ideia de desistir por conta de uma inflamação na perna que resolveu aparecer 10 dias antes da prova sequer passou pela minha cabeça.
O problema é que eu fiquei 10 dias sem treinar, e estes 10 dias saíram caro. Ganhei algum peso neste meio tempo, e perdi um pouco do ritmo. Para compensar isso, segurei o ritmo em 5:15/5:20. Não ajudou muito. Já na largada eu me sentia pesado e cansado. E a canela não queria ajudar.
O Tiago, que também treina na V8, iria fazer 21k para este ritmo, e seguimos juntos por um bom trajeto. Foi uma companhia muito bacana, demos algumas risadas no caminho e nos desgarramos no km 13. Apesar de ele ser mais forte do que eu, não estava num dia bom e baixou o ritmo ali.
E foi neste momento que eu prestei atenção na minha perna esquerda. A verdade é que eu não fazia um movimento de "corrida" com ela. Ela havia endurecido e era um bloco só correndo, como que não tivesse joelho. O corpo é mesmo incrível: para evitar a dor, ele simplesmente mudou a minha mecânica. Mas é claro que o preço disso não é baixo, e eu já sabia disso quando optei por correr mesmo com a inflamação.
Chegamos ao Pinheirinho com 19 ou 20 km, e eu caminhei um pouco. Mas não por quebrar. Eu não conseguia baixar meu batimento cardíaco, e isso somado à perna "manca" me alertou: eu devia controlar muito bem a situação agora!
Aqui, eu pensei em desistir, parar, aguardar o Tiago e voltar de carro junto com ele. Então lembrei do nosso longão em que eu quebrei, e me toquei que 42km "não era tão mais longe" do que eu já havia ido. Eu tinha que continuar. E não hesitei em volar a correr.
Mesmo caminhando eventualmente, meu ritmo não ficou ruim. As sonhadas 3:30 já tinham ido por água abaixo tempos antes. Então, agora, a meta ficou em volta das 4h. E no 30 eu estava com 2:56, mesmo tendo caminhado relativamente muito. Estava bom!
E daí pra frente foi que eu abri mão. Guardava energia nas subidas, e corria sempre que me permitia. Na verdade, eu tinha mais perna do que parecia, mas considerava isso bom. Até o 37 não senti quebrar realmente, eu estava somente controlando a energia. Caminhava muito, é fato, mas talvez por inexperiência e medo.
Do km 38 pra frente, a maratona começou de verdade pra mim. Eu esqueci de tomar gel, usava três copos d'água a cada posto e cheguei a jogar isotônico com água na cara para refrescar. O sol pegou, e a energia já se tinha ido. Ali, era a garra, o coração, e usar a energia que todos os meus amigos haviam me enviado.
Mesmo caminhando eu dosava o ritmo. Nunca abaixo de 10min/km caminhando, e correndo eu não me preocupava com nada. Parava ao primeiro sinal de câimbra, este era o meu dosador.
Assim que virei na Cândido de Abreu e vi, lá longe, a chegada, senti um sopro no corpo todo. Uma dose altíssima de adrenalina fora injetada, incrível. Liguei o iPod e comecei a correr, decidido a correr o último km inteiro. Não consegui. Quase chegando no km 42, quebrei novamente.
Mas a visão logo se refrescou. Meus pais e a Isa estavam lá. Me viram, levantaram os braços, e gritaram "VAI"! Eu fui. E fui sem dó.
Quando voltei a correr, não tinha mais energia - sequer para fazer os 195m que, nesta hora, parecem 3km. Então comecei a gritar, sacudir os braços e pedir que as pessoas que assistiam gritassem também. Literalmente levantando os que assistiam ali. E acho que consegui. Não tenho certeza, porque daquela hora não tenho mais certeza de nada. Eu sei que eu senti as pessoas gritando junto, e isso funcionou. Como uma onda mesmo, eu fui passando, gritando, levantando os braços, e todos me deram a energia que faltava.
Cruzei a linha de chegada aos berros. E fui ao abraço dos meus pais, amigos, treinadores e todo o resto.
Muitos maratonistas dizem que a maratona começa no km 30 - antes disso é só administrar. Mentira. A maratona começa 4 meses antes, quando você coloca isso como seu objetivo e começa a treinar para ele. Os longos, os tiros, as lesões, as dores, os novos amigos, as ausências com os velhos amigos...
Quem não é maratonista jamais entenderá o que se passa, jamais compreenderá o quanto importante é cada "boa sorte", cada "VAI", cada palma que recebemos antes e durante o percurso. E eu não os culpo.
Aliás, pelo conrário. Talvez, eu deva um pedido de desculpas geral a todos os que me acompanharam neste trecho. E, mais que desculpas, um MUITO OBRIGADO. Aos amigos (principalmente do voo), à família, aos amigos próximos e aos nem tão próximos assim, meu mais sincero muito obrigado. Obrigado por entenderem, e aturarem, esta meta que coloquei para mim de terminar esta maratona. Tenho certeza que compensarei, aos poucos e do meu jeito, cada ausência, cada recusa de convites, cada decisão aparentemente antissocial que tomei nos últimos meses. Obrigado também ao Vitor e à V8, cujo apoio e assessoria foram essenciais para tornar esta meta factível!
Também, preciso agradecer ao Tiago, aquele que correu o começo comigo. Ele não sabe ainda, mas ele é que foi responsável por manter minha cabeça inteira. Numa conversa descompromissada no Barigui, ele virou pra mim e disse "ah, cara, eu não acho que quem caminhe tá errado; é melhor caminhar do que se matar!". Isso foi há umas 3 semanas, e trabalhei muito isso na minha cabeça - principalmente quando percebi que correria lesionado. Foi, com certeza, curtir esta maratona independentemente de ter caminhado!
E é fato sim que eu fiz bem acima da minha meta. É fato que eu caminhei. E é fato que eu apanhei desta prova. Mas a maratona é uma prova pessoal, não é para os outros. Com a medalha em mãos, eu posso fazer dela a memória que eu quiser - sem medo de exceder o egoísmo. E, com todo egoísmo que me cabe, eu encho o peito pra dizer: EU SOU MARATONISTA. E ninguém me convence do contrário. A partir de hoje, o meu nome vem acompanhado de um número. 42.195. Esse é meu número. ponto.
No www.linhadechegada.com está publicado o tracklog, informações de velocidade e batimento km a km...
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Tic, tac
Porque a beleza não está ligada ao seu rosto. Digo, está, mas não assim, da forma como você gosta de pensar. Pois não me interessa o que sua maquiagem esconde - ainda que esconda traços tão belos que deveriam mais ser mostrados do que mascarados; mas não me interessa. Me interessa mais o que seus olhos escondem, e o que seu sorriso deixa escapar.
Eu não sei como os outros te veem, e isso nem me interessa. Talvez, preferisse que um espelho nunca tivesse sido parte da sua vida, para que você não tivesse noção desta beleza que tens - porque não estou interessado nela, mas ela está no meu caminho como árvore caída em vendaval.
Seu perfume ficou em mim, mas não tenho certeza que ele seja de frasco. É natural, é suave, é humano... é seu, só seu. E, agora, um pouco meu. E meus olhos não ficam abertos quando ele chega às minhas narinas. Mas não consigo guarda-lo, ele se vai. E eu sofro porque o sinto no tic, e sofro porque ele se vai no tac. ponto.
Eu não sei como os outros te veem, e isso nem me interessa. Talvez, preferisse que um espelho nunca tivesse sido parte da sua vida, para que você não tivesse noção desta beleza que tens - porque não estou interessado nela, mas ela está no meu caminho como árvore caída em vendaval.
Seu perfume ficou em mim, mas não tenho certeza que ele seja de frasco. É natural, é suave, é humano... é seu, só seu. E, agora, um pouco meu. E meus olhos não ficam abertos quando ele chega às minhas narinas. Mas não consigo guarda-lo, ele se vai. E eu sofro porque o sinto no tic, e sofro porque ele se vai no tac. ponto.
sábado, 6 de novembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
Viva o Brasil!
Eu nunca falo de política por aqui, até porque não tem tanta gente assim que lê este espaço e eu não tenho qualquer intenção de formar opiniões. Então, peço a gentileza que a opinião aqui registrada não seja discutida desta vez. Não tenho saco para discutir política (e explicarei o porquê), e não é a intenção que ela seja discutida. Não quer se irritar, não leia. Estou só desabafando, então relaxa e goza. Combinado?
Bom, a Dilma foi eleita. No dia das bruxas, a bruxa saiu da toca e assombrou pelo menos 55% do país. Eu sei que ela ganhou pela maioria, mas vamos lembrar quantos dos seus amigos estão viajando, "comemorando" o feriado, e não votaram no Serra - uma opção medíocre mas, ainda assim, menos medonha. Ok, sou bom perdedor, a Dilma recebeu a maioria dos votos: aturemos.
O problema é que ninguém sabe direito porque votou na Dilma. Fora o fato de o Lula ter pedido ela de "presente de aniversário", ela sequer consegue enrolar uma boa resposta em perguntas básicas (aliás, se tivesse conteúdo, assumia que não lia e ponto!)! Bem, ela não é articulada em entrevistas, então ela deve ter um bom currículo? Não, também não. Então não entendi.
A questão é que nossa política está tão viciada que, fatalmente, não faz diferença quem vá entrar lá em cima. Ou você acha que o Brasil está próspero porque o Lula é presidente, e que o governo dele foi melhor que o do FHC porque o Lula é melhor? Ah, vá estudar...
Essa nossa euforia, esse conforto, essa sensação maravilhosa de que "as coisas estão indo bem" são o mais puro reflexo de uma economia estável. Se nós, consumidores, estamos consumindo, as coisas estão indo bem. E, afinal, nós estamos mesmo! Não?!
A questão é que este conforto não vem da iniciativa pública, aquela merda viciada que já se perdeu no comodismo e lobbismo. O conforto vem de empresas privadas e bem estruturadas que nascem aqui, crescem e ganham o mundo, trazendo capital pra dentro do país e valorizando nossa moeda.
Daí temos boa economia, e se a economia está boa ninguém reclama. Você acha que o Collor foi ruim? O problema do Collor foi não pagar as pessoas certas. O Lula foi mais esperto, pagou todo mundo e declarou que não sabia de nada! Daí, conseguiu até botar uma Dilma na presidência, sem que sequer as pessoas se perguntassem "qual Dilma"? Até porque, se perguntassem, aposto que ele ia dizer que não sabia de nada também...
Nosso presidente se orgulha de não ter diploma sequer do ensino fundamental completo, e nosso povo burro acha que, com isso, temos um governante que se assemelha a nós. Deixa eu te dizer uma coisa: não precisamos ter alguém que se assemelhe a nós lá em cima. Precisamos ter alguém que seja melhor que nós, que entenda de coisas que nem eu nem você parou para estudar um dia. Você não gosta de ter um presidente de empresa que é "bom pra cacete"? Que "manda muito bem"? Por que diabos isso é diferente pro seu país então, po?
Ouvi estes tempos que a desigualdade da população está melhor agora, temos uma classe pobre ascendendo. Bacana, então eleger a Dilma é sinônimo de bolsa-família mais próspera. Votemos.
Mês passado, quando eu disse que votaria certamente no Tiririca, reforçando que "pior do que tá não fica", meus amigos moralistas tiraram as garras pra fora e atiraram pedras e facões. Estou farto deste moralismo ignorante. A política do país está uma merda, está viciada. Você acha falta de respeito um palhaço ser eleito? Pois eu acho falta de respeito eu ser taxado de palhaço pelo meu próprio governo. E quem não lembra da dança do mensalão? "Mas isso sempre teve", né?!
Neste caminho, eu tenho certeza que vamos chegar ao primeiro do mundo. Se depender do próximo governo, seremos de certo manchetes constantes nas colunas de humor e de escândalos públicos por todo o mundo.
Mas nossa política está viciada, e não conseguimos mudar. Por uma coisa bem simples: assistimos Tropa de Elite 2 e achamos um "bom filme de ficção". Ou, pior: achamos que é exatamente o que ocorre, e que precisamos mudar isso - votando na Dilma.
Hoje, fiquei com nojo de ser brasileiro. Senti vontade de gritar, de sair deste ninho que fede a merda velha. Vejo amigos comemorando a eleição da Dilma, e tenho vontade de perguntar a eles uma, uma razão sequer pela qual as pessoas tenham votado nela.
E não é que eu tenha votado no Serra por opção. Com todo o meu corpo, posso dizer que votei nele pela falta de opção mesmo.
Por fim, com esta eleição medíocre, acredito apenas ter reforçado o que já penso há muito tempo. Eu faço parte da iniciativa privada, e preciso fazê-la prosperar e fazer a diferença - porque, se depender do poder público, continuaremos como viciados que fogem da clínica de reabilitação.
E viva o Brasil! ponto.
Bom, a Dilma foi eleita. No dia das bruxas, a bruxa saiu da toca e assombrou pelo menos 55% do país. Eu sei que ela ganhou pela maioria, mas vamos lembrar quantos dos seus amigos estão viajando, "comemorando" o feriado, e não votaram no Serra - uma opção medíocre mas, ainda assim, menos medonha. Ok, sou bom perdedor, a Dilma recebeu a maioria dos votos: aturemos.
O problema é que ninguém sabe direito porque votou na Dilma. Fora o fato de o Lula ter pedido ela de "presente de aniversário", ela sequer consegue enrolar uma boa resposta em perguntas básicas (aliás, se tivesse conteúdo, assumia que não lia e ponto!)! Bem, ela não é articulada em entrevistas, então ela deve ter um bom currículo? Não, também não. Então não entendi.
A questão é que nossa política está tão viciada que, fatalmente, não faz diferença quem vá entrar lá em cima. Ou você acha que o Brasil está próspero porque o Lula é presidente, e que o governo dele foi melhor que o do FHC porque o Lula é melhor? Ah, vá estudar...
Essa nossa euforia, esse conforto, essa sensação maravilhosa de que "as coisas estão indo bem" são o mais puro reflexo de uma economia estável. Se nós, consumidores, estamos consumindo, as coisas estão indo bem. E, afinal, nós estamos mesmo! Não?!
A questão é que este conforto não vem da iniciativa pública, aquela merda viciada que já se perdeu no comodismo e lobbismo. O conforto vem de empresas privadas e bem estruturadas que nascem aqui, crescem e ganham o mundo, trazendo capital pra dentro do país e valorizando nossa moeda.
Daí temos boa economia, e se a economia está boa ninguém reclama. Você acha que o Collor foi ruim? O problema do Collor foi não pagar as pessoas certas. O Lula foi mais esperto, pagou todo mundo e declarou que não sabia de nada! Daí, conseguiu até botar uma Dilma na presidência, sem que sequer as pessoas se perguntassem "qual Dilma"? Até porque, se perguntassem, aposto que ele ia dizer que não sabia de nada também...
Nosso presidente se orgulha de não ter diploma sequer do ensino fundamental completo, e nosso povo burro acha que, com isso, temos um governante que se assemelha a nós. Deixa eu te dizer uma coisa: não precisamos ter alguém que se assemelhe a nós lá em cima. Precisamos ter alguém que seja melhor que nós, que entenda de coisas que nem eu nem você parou para estudar um dia. Você não gosta de ter um presidente de empresa que é "bom pra cacete"? Que "manda muito bem"? Por que diabos isso é diferente pro seu país então, po?
Ouvi estes tempos que a desigualdade da população está melhor agora, temos uma classe pobre ascendendo. Bacana, então eleger a Dilma é sinônimo de bolsa-família mais próspera. Votemos.
Mês passado, quando eu disse que votaria certamente no Tiririca, reforçando que "pior do que tá não fica", meus amigos moralistas tiraram as garras pra fora e atiraram pedras e facões. Estou farto deste moralismo ignorante. A política do país está uma merda, está viciada. Você acha falta de respeito um palhaço ser eleito? Pois eu acho falta de respeito eu ser taxado de palhaço pelo meu próprio governo. E quem não lembra da dança do mensalão? "Mas isso sempre teve", né?!
Neste caminho, eu tenho certeza que vamos chegar ao primeiro do mundo. Se depender do próximo governo, seremos de certo manchetes constantes nas colunas de humor e de escândalos públicos por todo o mundo.
Mas nossa política está viciada, e não conseguimos mudar. Por uma coisa bem simples: assistimos Tropa de Elite 2 e achamos um "bom filme de ficção". Ou, pior: achamos que é exatamente o que ocorre, e que precisamos mudar isso - votando na Dilma.
Hoje, fiquei com nojo de ser brasileiro. Senti vontade de gritar, de sair deste ninho que fede a merda velha. Vejo amigos comemorando a eleição da Dilma, e tenho vontade de perguntar a eles uma, uma razão sequer pela qual as pessoas tenham votado nela.
E não é que eu tenha votado no Serra por opção. Com todo o meu corpo, posso dizer que votei nele pela falta de opção mesmo.
Por fim, com esta eleição medíocre, acredito apenas ter reforçado o que já penso há muito tempo. Eu faço parte da iniciativa privada, e preciso fazê-la prosperar e fazer a diferença - porque, se depender do poder público, continuaremos como viciados que fogem da clínica de reabilitação.
E viva o Brasil! ponto.
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